Uma Asus ROG Strix RTX 4090 comprada no eBay chegou ao canal de reparos Northwest Repair com um problema simples: não funcionava.
O que o técnico encontrou ao abrir a placa, porém, foi algo que ele jamais havia visto antes em anos de carreira: uma falsificação tão sofisticada que passou ilesa por todos os testes visuais iniciais, enganando até um olhar experiente.
O chip principal e todos os módulos de memória eram falsos: tinham sido lixados para remover as marcações originais e, em seguida, regravados com laser para imitar os componentes reais de uma RTX 4090 legítima.
O veredicto do próprio técnico foi direto: “o melhor golpe que já vi.”
Uma placa aparentemente impecável
A história por trás da compra era de que a placa teria vindo de um lote de paletes da Amazon. O cliente havia adquirido o produto de segunda mão pelo eBay e o equipamento simplesmente não era reconhecido em nenhuma bancada de testes. Ao abrir a placa, porém, nada saltava aos olhos.
O PCB estava limpo, sem sinais de retrabalho… Não havia resíduo de flux, não havia marcas de aquecimento excessivo que normalmente indicam extração do chip ou das memórias.
O composto ao redor do núcleo gráfico estava presente, os chips de memória pareciam intactos e as marcações no núcleo central exibiam exatamente o código correto: AD102-300-A1, o mesmo de uma RTX 4090 genuína.
Ao tentar injetar corrente no circuito para localizar falhas, o técnico trabalhou com valores entre 2 e 10 ampères. Nenhum chip aqueceu e também nenhum ponto reagiu.
Ou seja, havia um curto-circuito generalizado nos módulos de memória, mas a causa não estava aparente. O board simplesmente não deixava pistas.
O microscópio então revelou o que o olho nu não viu
O momento “eureka” veio quando a placa foi colocada sob um microscópio. Um detalhe minúsculo chamou atenção: um pad de solda levemente diferente dos vizinhos, com vestígios de remoção de estanho. Esse sinal indicava que alguém havia usado um fio de dessoldagem para extrair componentes.

A partir daí, a análise ficou mais minuciosa. O board apresentava marcas finas e uniformes por toda a superfície, típicas de uma lavagem ultrassônica, usada para limpar a placa e apagar rastros de intervenção.
Os chips de memória, vistos de perto, tinham a camada superior visivelmente desgastada: foram lixados fisicamente para remover as marcações originais e, depois, receberam gravação a laser com o código GDDR6X, como se fossem memórias legítimas de uma 4090.
O mesmo processo foi aplicado ao núcleo gráfico. O epóxi ao redor do chip tinha uma coloração mais escura que o padrão da Asus, o que inicialmente foi interpretado como resultado de overclock agressivo.
A análise mostrou, no entanto, que era apenas o indício de que o núcleo original havia sido substituído e o espaço preenchido com outro tipo de composto.
“O melhor golpe que já vi”
“Este é o melhor scam que já vi. Eles ficaram tão bons nisso. E eu, com um olhar treinado, não peguei de cara”, disse o técnico do Northwest Repair ao comparar o núcleo falso com o de uma RTX 3080 real.
A comparação com uma placa da geração Turing foi o teste definitivo. As GPUs baseadas na arquitetura Ada Lovelace, presente na linha RTX 4000, têm um padrão diferente de capacitores MLCCs distribuídos ao redor do núcleo.
Ao colocar as duas placas lado a lado, a diferença é visível, mas exige conhecimento técnico prévio para ser identificada. Nenhum consumidor comum faria esse tipo de verificação ao comprar uma placa usada.

Em um comentário fixado no vídeo, o técnico foi além: na opinião dele, uma falsificação desse nível não poderia ter sido executada por um indivíduo ou por uma oficina profissional qualquer.
O trabalho aponta para uma operação de nível industrial, possivelmente ligada a fornecedores clandestinos que convertem GPUs gamers em aceleradores para inteligência artificial com upgrades de memória.
Um dos espectadores chegou a brincar que talvez essa “fábrica” tivesse enviado a placa de propósito para mapear o que ainda precisava aprimorar, de graça.
O que está por baixo das marcações falsas
Essa é a questão sem resposta: ninguém sabe o que são os chips reais por baixo das gravações a laser.
O código “AD102-300-A1” impresso no núcleo não corresponde a nada funcional. A placa não opera. Pode ser qualquer componente genérico que serviu apenas como substrato para a falsificação.

O mesmo vale para as memórias: o rótulo GDDR6X está lá, mas o que existe de fato por baixo pode ser qualquer tipo de chip. Não há como saber sem uma análise laboratorial destrutiva e, mesmo assim, a resposta provavelmente não valeria o custo do processo.
Como se proteger ao comprar uma placa usada
O técnico deixou recomendações bem diretas no vídeo.
A principal é a seguinte: nunca compre uma RTX 4090 ou RTX 5090 de alguém que você não conhece pessoalmente e não sabe onde mora. Conhecer o número de telefone, o perfil no marketplace ou até ter um amigo em comum não basta. Em um caso relatado nos comentários, um comprador teve a placa trocada enquanto desviava o olhar por alguns segundos para pegar o dinheiro.
Caso a compra seja inevitável, a recomendação é gravar toda a transação em local público, com o rosto do vendedor e a placa do veículo enquadrados. Esses registros podem ser fundamentais em uma investigação.
E por falar em investigação: registrar um boletim de ocorrência não é opcional. Cada B.O. isolado pode não resultar em nada imediatamente, mas um volume de denúncias sobre o mesmo tipo de fraude tende a acionar apurações formais. Ignorar o prejuízo e seguir em frente só beneficia quem aplica o golpe.
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Mercado pressionado, golpes cada vez mais elaborados
O panorama do mercado de GPUs cria o ambiente perfeito para esse tipo de fraude. A demanda por placas de alto desempenho, alimentada pelo crescimento da inteligência artificial, mantém os preços elevados e a oferta restrita no mercado secundário. Quem busca uma boa oportunidade está mais vulnerável do que nunca.
O caso da RTX 4090 falsificada deixa uma lição concreta: a sofisticação dos golpes chegou a um ponto em que enganou um profissional experiente. Se um técnico com anos de prática levou tempo considerável para identificar a fraude sob um microscópio, um consumidor comum não teria a menor chance de perceber o problema antes de perder o dinheiro.
O alerta, agora, é público.
Fonte(s): Northwest Repair (YouTube)