A tecnologia iHBM da SK hynixé o novo trunfo da fabricante sul-coreana na corrida pelas memórias de alta largura de banda para inteligência artificial. Anunciada nesta semana, a tecnologia embute elementos de resfriamento dentro do próprio pacote da memória e reduz a resistência térmica em 30% em relação às soluções atuais.
A estreia oficial está prevista para a oitava geração da família, o HBM5, ainda sem data definida.
O alvo declarado pela empresa são GPUs de próxima geração para data centers de inteligência artificial e computação de alto desempenho, segmento dominado pela NVIDIA, principal cliente da SK hynix.
O problema térmico que limita a HBM atual
Antes de entender o que muda com a iHBM, vale revisitar o gargalo que ela tenta atacar. A memória HBM ganha velocidade ao empilhar várias DRAMs umas sobre as outras e ligar tudo ao acelerador por uma interface curta. Essa proximidade física é o que entrega mais largura de banda com menor consumo de energia.
O problema é que o calor não desaparece… Toda a energia dissipada precisa sair por algum caminho, e o ponto mais crítico é o D2D PHY (Die-to-Die Physical Layer), a camada que conecta o die base da HBM ao processador. É ali que a densidade de potência atinge picos, e é justamente nesse local que o calor estrangula o desempenho dos chips de IA.
Nos pacotes HBM atuais, o resfriamento acontece de forma indireta: o calor precisa atravessar o die principal antes de chegar à placa fria por cima.
Quanto mais camadas de memória empilhadas, mais difícil esse caminho fica, e a tendência é que produtos com 16, 20 ou mais camadas tornem o problema ainda mais grave.
Como funciona o ICE, o elemento de resfriamento integrado
A peça central do iHBM é o ICE (Integrated Cooling Element). Trata-se de um bloco fabricado com material à base de silício, escolhido por uma combinação rara: alta condutividade térmica e zero condutividade elétrica. Em outras palavras, dissipa calor sem causar curto-circuito nas trilhas vizinhas.
O ICE fica posicionado dentro do pacote, exatamente sobre o D2D PHY, ao lado do die principal da HBM.
Em vez de o calor precisar subir pelo empilhamento de DRAMs, ele encontra um atalho direto para a placa fria através do silício do ICE. É como abrir uma janela nova em um ambiente que só tinha uma porta de ventilação.
“iHBM é a solução ideal para o gerenciamento térmico, combinando nossas capacidades de design de memória com tecnologia avançada de empacotamento. Vamos cimentar nossa liderança em memória para IA antecipando o valor que os clientes vão demandar nesse ambiente”
Kangwook Lee, vice-presidente sênior e chefe de desenvolvimento de Package na SK hynix
A redução de 30% na resistência térmica anunciada pela empresa significa, na prática, que a memória pode manter operação estável em condições mais severas de temperatura e densidade.
Para o usuário final dos data centers, isso se traduz em menos throttling, sustentação de velocidades máximas de transferência por mais tempo e capacidade de empilhar camadas adicionais sem comprometer a estabilidade.
Compatível com produção atual graças ao MR-MUF
Um dos pontos técnicos mais importantes do anúncio é que o iHBM não exige uma reformulação completa das fábricas.
A SK hynix vai produzir os novos pacotes usando o mesmo processo de wafer-level packaging baseado em MR-MUF, a tecnologia de moldagem por refluxo em massa que a empresa já usa em alta escala desde o HBM3 e que será mantida no HBM4.
| Característica | HBM convencional | SK hynix iHBM |
|---|---|---|
| Caminho de dissipação do calor | Indireto, via core die | Direto, via ICE no D2D PHY |
| Resistência térmica | Padrão de referência | Reduzida em 30% |
| Material do elemento de cooling | Não aplicável | Silício termicamente condutor e eletricamente isolante |
| Processo de fabricação | Wafer-Level Packaging + MR-MUF | Wafer-Level Packaging + MR-MUF |
| Mudanças no design System-in-Package | Não aplicável | Mínimas para os clientes |
| Geração de estreia | HBM3, HBM3E, HBM4 | HBM5 (8ª geração) |
A compatibilidade com System-in-Package existentes é providencial e significa que NVIDIA, Intel, bem como outros clientes, não precisam refazer a engenharia das placas aceleradoras para adotar o iHBM, apenas adaptar pontos específicos do layout.

Por que o HBM5 é a janela ideal de estreia
A escolha de estrear a tecnologia no HBM5 é bem estratégica, visto que as gerações intermediárias, HBM3E e HBM4, já estão em produção ou em rampa de fabricação com clientes definidos. A NVIDIA recebe módulos HBM4 da SK hynix para a arquitetura Vera Rubin, e a Intel confirmou parceria para os aceleradores Jaguar Shores.
Inserir o iHBM no HBM5 dá à SK hynix tempo para validar a tecnologia em escala antes de mirar o que vem depois.
A empresa também ganha distância da concorrência: a Samsung ainda corre atrás para emplacar HBM4 com qualidade, e a Micron mantém posição de terceira força no segmento.
A jogada conecta diretamente com o calendário comercial da NVIDIA. O presidente do SK Group, Chey Tae-won, vai se encontrar com Jensen Huang na semana que vem em Taipei, durante a Computex 2026 e o GTC Taipei. Pauta declarada: avanços em chips de IA e memórias HBM.
Leia também:
- SK Hynix valida memória HBM com 12 camadas e acelera corrida pelo HBM4
- AMD vai usar chips HBM4 da Samsung na suas próximas gerações de GPUs para IA
- AMD revela aceleradora de IA MI350P com 144 GB HBM3E e desempenho até 40% superior à NVIDIA H200
SK hynix consolida liderança no segmento de HBM
A apresentação do iHBM reforça uma posição que a SK hynix vem construindo há três anos no mercado de hardware para IA.
A empresa foi a primeira a entrar em produção em massa de HBM3E de 12 camadas, a primeira a anunciar HBM4 com 16 camadas e 2 TB/s e agora a primeira a propor cooling integrado para o HBM5.
A Samsung tentou recuperar terreno no HBM3E, mas enfrentou problemas de rendimento. A Micron, embora respeitada, opera em escala menor que as duas sul-coreanas. O resultado é uma estrutura de mercado em que a SK hynix consegue ditar parte do calendário de inovação para todos os grandes fabricantes de aceleradores de IA.
A próxima etapa para iHBM é a validação com clientes; a SK hynix não revelou nomes de parceiros nem datas exatas de envio de amostras, mas a menção explícita à NVIDIA no contexto de HBM5 dá pistas claras de onde a tecnologia deve aparecer primeiro.
Fonte(s): SK hynix Newsroom (via PR Newswire)