Linux vai abandonar suporte ao lendário AMD K5, primeiro CPU próprio da empresa

É oficial: o kernel Linux 7.2 removerá o suporte à família de processadores AMD K5, primeiro projeto x86 independente da empresa, devido à ausência do Time Stamp Counter (TSC), recurso na qual a manutenção passou a restringir os desenvolvedores.

A decisão veio a público por meio de um patch que também descarta versões de CPUs Intel Pentium sem TSC, conforme observaram analistas do Phoronix.

O K5 chegou ao mercado em 1996 com clocks entre 75 MHz e 133 MHz e arquitetura interna baseada em RISC que decodificava instruções x86 em microinstruções antes da execução.

Fabricado com 4,3 milhões de transistores, o chip estreou tardiamente e enfrentou uma linha Pentium da Intel já mais veloz, embora tenha superado o Cyrix 6×86.

O contexto competitivo da época e a prática do performance rating

Naquele momento, a AMD vendia os chips K5 com um índice de desempenho (PR) que sugeria equivalência em performance com processadores Intel Pentium de determinada frequência.

Um K5 de segunda revisão operando a 116 MHz, por exemplo, saía de fábrica rotulado como K5 PR166. A prática gerava desconforto entre entusiastas, mesmo com o número estampado na embalagem.

O período também consolidou o uso obrigatório de dissipador e ventoinha acoplados ao processador, prática adotada até hoje (mais do que nunca).

Por que a falta de TSC inviabiliza o suporte no kernel moderno

Manter códigos para processadores que não implementaram o Time Stamp Counter exige tratamento de exceções e caminhos alternativos no kernel.

Em análise técnica do patch, os responsáveis apontam que a remoção produtos reduz a complexidade de manutenção e libera os engenheiros para concentrar esforços em hardware com uso ativo.

A decisão atinge diretamente o K5, mas abre precedente para que outros componentes igualmente sem suporte ao TSC sigam o mesmo caminho.

Intel i486 foi retirado antes e mais processadores embarcados entram na lista

Há cerca de um mês, os desenvolvedores iniciaram a remoção do Intel i486, processador com 37 anos de mercado, em patches programados para o kernel Linux 7.1.

O impacto daquela decisão supera a iniciativa envolvendo o AMD K5 em escala: o i486 vendeu volumes expressivos e fez parte desde computadores domésticos até sistemas industriais. O movimento veiculado nesta publicação avança a “limpeza” para duas linhas de sistemas em chip criados pela própria AMD.

O AMD Elan, sistema em chip (SoC) de classe i486 sem TSC lançado em 1995, será retirado na versão 7.2. Na mesma leva, o AMD Geode, família de processadores x86 para que substituiu o Elan no começo dos anos 2000, também deixará de receber suporte.

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O que muda para máquinas com esses processadores

Equipamentos baseados em K5, Elan ou Geode não se tornarão inutilizáveis da noite para o dia. Kernels anteriores continuam funcionais, e os sistemas ainda podem ser usados em projetos que não exijam um sistema operacional conectado à internet com correções de segurança atualizadas.

Para finalizar, ressaltamos que o cenário de escassez e encarecimento de memória RAM segue sem previsão de desaceleração, adicionando uma camada de desconforto à retirada de plataformas modestas (mesmo as muito antigas) que rodam software leve sem depender de hardware recente.

E aí? O que achou da decisão? Compartilhe o seu ponto de vista e continue acompanhando o Adrenaline!

Fonte: Tom’s Hardware

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