EXCLUSIVO | Conversamos com Dan Reynolds, um dos criadores do game Last Flag

O mundo da música e dos games acaba de ganhar uma intersecção de peso. Mac Reynolds, conhecido globalmente como o líder da banda Imagine Dragons, uniu forças com seu irmão, Dan Reynolds, para fundar a Night Street Games.

O primeiro fruto dessa parceria é o game Last Flag, um jogo que resgata a nostalgia das brincadeiras de infância com uma roupagem psicodélica dos anos 70.

Nesta entrevista exclusiva com Dan Reynolds, mergulhamos nos bastidores da criação, na filosofia “diversão em primeiro lugar” e em como o desenvolvimento de games serviu de refúgio criativo para Dan.

Do acampamento de escoteiros para os games

A semente de Last Flag foi plantada muito antes da fundação do estúdio. Dan e Mac passaram grande parte da vida discutindo sobre a criação de jogos. A ideia central surgiu de uma memória afetiva: a emoção de brincar de “pique-bandeira” (capture the flag) na floresta, à noite, durante acampamentos de escoteiros.

Diferente de outros modos de jogo similares, os criadores queriam algo mais autêntico. “Nenhum deles tinha um esconde-esconde real. Nenhum permitia que você colocasse a bandeira onde quisesse”, explica Dan Reynolds.

O projeto começou com esboços, animações e músicas de Dan, evoluindo de um protótipo em Unity para a versão final na Unreal Engine.

Imagem: Divulgação/Night Street Games

A estética “quirky” dos anos 70

Uma das características mais marcantes de Last Flag é sua ambientação. A escolha pela década de 1970 foi unânime e inspirada pelo estilo visual de filmes de diretores como Quentin Tarantino.

Para os criadores, os anos 70 oferecem uma liberdade de autoexpressão e personalidades extravagantes que ainda não foram tão exploradas quanto os anos 80 nos games.

O jogo se passa em um programa de televisão criado pelo misterioso Victor Fax, na Fax TV, onde competidores de todo o mundo se enfrentam em um cenário hiper-comercializado, mas com um toque sombrio e códigos escondidos para os jogadores desvendarem.

Imagem: Divulgação/Night Street Games

Filosofia: diversão primeiro, competição depois

Em um mercado saturado de jogos ultra-competitivos, a Night Street Games adotou uma abordagem diferente. A filosofia central foi trabalhar a partir da visão criativa: o jogo deveria ser divertido antes de ser competitivo.

“Nós acreditamos que o jogo deve ser primeiramente divertido, e depois competitivo”.

Isso se reflete em uma jogabilidade acessível, onde o “caos controlado” permite que diferentes perfis de jogadores contribuam:

  • O estrategista: que encontra os melhores lugares para esconder a bandeira.
  • O explorador: que foca em coletar recursos e dominar torres de radar.
  • O furtivo: que utiliza o sistema de esconde-esconde para surpreender os adversários.
Imagem: Divulgação/Night Street Games

Música como refúgio criativo

Para Dan Reynolds, trabalhar na trilha sonora de Last Flag foi uma experiência libertadora. Enquanto suas composições no Imagine Dragons são descritas como confessionais e, muitas vezes, angustiantes, o jogo permitiu que ele explorasse um lado mais leve e experimental.

Um exemplo dessa descontração é a “The Losing Song” (A Canção da Derrota), uma faixa engraçada que toca quando o jogador perde a partida.

A trilha contou com a colaboração do produtor indicado ao Grammy, JT Daly, utilizando técnicas de gravação típicas dos anos 70 para manter a autenticidade do mundo de Last Flag.

Soldier carregando a bandeira para o time
Imagem: Divulgação/Night Street Games

O futuro da Night Street Games

Como um estúdio independente, a meta da equipe não é atingir metas estratosféricas de vendas, mas sim a sustentabilidade. O foco atual é “entregar valor” aos jogadores através de um modelo de serviço vivo, com novas atualizações já planejadas:

  • Novo mapa chegando em breve.
  • Nova personagem (contestant) que promete mudar a dinâmica do jogo.
  • Novos modos de jogo constantes.

Embora o foco total esteja em aprimorar Last Flag, a equipe já começou a compartilhar internamente ideias para um segundo título, sinalizando que este é apenas o início da jornada da Night Street Games no mundo dos eletrônicos.

Scout tem um parceiro alado para ajudar
Imagem: Divulgação/Night Street Games

Last Flag que ser uma diversão acessível

Last Flag chega na Steam com preço sugerido de R$ 43,99, mas até o dia 28 de abril o game está sendo vendido por R$ 35,19. É um valor bastante acessível para um jogo considerado “completo” pelos desenvolvedores.

Não haverá microtransações e nem DLCs pagos. Todo o conteudo adicional previsto para sair ao longo dos próximos meses será gratuito.

Essa parece ser uma forma inteligente de atrair mais público especialmente no início. Embora seja possível jogar as partidas 5v5 contra bots, o game fica muito mais divertido quando há jogadores de verdade do outro lado.

Há planos ainda de trazer Last Flag em breve para os consoles. Até lá, a Night Street Games quer deixar sua marca com um game descontraído e para todas as idades. E, pelo que pudemos conferir na nossa prévia, com certeza vale a pena dar uma chance para ele.

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