O que antes era apontado apenas uma “febre passageira” em 2016, transformou-se em uma operação bilionária e estratégica. Pokémon Go continua mais vivo do que nunca, atingindo números cada vez mais altos de usuáros ativos, e o Brasil tem uma grande contribuição nesse sucesso
Enquanto o Rio de Janeiro se prepara para o evento especial Carnaval de Flamigo, tive a oportunidade de conversar com os executivos responsáveis pelas estratégias de crescimento do game no Brasil e na América Latina.
Eric Araki (Gerente Brasil) e Alan Mandujano (Head de América Latina) revelam como o Brasil atingiu o Top 3 global e o que esperar do futuro da realidade aumentada no país.
“Pokémon Go está mais vivo do que nunca”
Muitos questionam se Pokémon Go ainda mantém sua relevância após o “boom” inicial. Para quem não se lembra, em 2016, quando foi lançado, o título se tornou um verdadeiro fenômeno cultural, com as pessoas indo às ruas em grupos para jogar e coletar pokémons.
“A América Latina tem hoje mais jogadores ativos do que no lançamento em 2016“, afirma Alan Mandujano.
Embora o frenesi midiático tenha diminuído, o engajamento e a base dedicada de treinadores só cresceram. Eric Araki complementa que esse crescimento foi impulsionado especialmente entre 2024 e 2025, o que permitiu ao Brasil consolidar sua posição no Top 3 mundial em usuários ativos mensais e aquisição de novos jogadores.
“O Brasil é top 3 mundial em usuários ativos mensais e aquisição de novos jogadores”, destaca Eric Araki.

A pandemia como prova de fogo e validação
Enquanto Pokémon Go crescia e fortalecia seus laços com as comunidades globais, um evento inesperado e de proporções inesperadas se tornou um grande desafio: a pandemia. Afinal, como convidar as pessoas para irem às ruas e interagirem quando as recomendações da OMS iam na direção oposta?
Alan Mandujano descreveu o período como uma “ameaça existencial” para um jogo baseado em exploração de rua. No entanto, apesar do desafio, o resultado foi surpreendente.
“Tivemos um crescimento inesperado entre 2020 e 2021, e esses acabaram se tornando alguns dos melhores anos para o jogo”, detalha Mandujano.
“A Niantic percebeu que a conexão com a comunidade e o desejo de viver o universo Pokémon no mundo real eram fortes o suficiente para manter o jogo vivo mesmo com restrições de movimento”.
Após o hiato de eventos presenciais , a empresa focou em uma retomada agressiva a partir de 2022, resultando nos grandes eventos de 2024 e 2025 em cidades como Fortaleza, São Paulo e Santo André.

Além do Eixo Rio-SP
Embora cidades como São Paulo e Rio de Janeiro recebam maior atenção, pelo simples fato de serem duas das maiores cidades do país, isso não significa que as atividades de Pokémon Go se restrinjam ao eixo Rio-SP.
Eric Araki destacou o programa de Embaixadores da Comunidade, que já apresenta números impressionantes: são mais de 110 comunidades em 91 cidades, cobrindo pelo menos uma cidade em cada estado brasileiro.
“O objetivo é que parques, shoppings e universidades fora das capitais (como Joinville, Niterói e cidades do Nordeste e Sul) recebam estrutura oficial para os Dias Comunitários”.
A rede é articulada por líderes dedicados, garantindo que os encontros não sejam apenas informais, mas sim eventos estruturados e apoiados pela empresa.

Rio de Janeiro como palco de testes tecnológicos
O Carnaval de Flamigo (3 a 8 de fevereiro) não é apenas um evento temático, mas uma vitrine estratégica. Eric Araki explicou que a escolha do Rio de Janeiro para estrear o Fundo Especial da Praia de Ipanema faz parte de uma colaboração com a Casa Civil para mapear a cidade e integrar turismo à tecnologia.
No dia 7 de fevereiro acontece um evento presencial gratuito no Shopping Metropolitano Barra, com direito a estátuas inéditas dos Líderes de Equipe e máquinas de brindes.
Já no dia 28 de Fevereiro ocorre a ativação do Pokémon GO Tour: Kalos Global, trazendo Mega Evoluções inéditas (Mega Victreebel e Mega Malamar) e os lendários Xerneas e Yveltal para o cenário carioca.

Investindo forte na América Latina
O otimismo da Niantic com a região é visível na estrutura corporativa. Ao contrário de 2016, hoje existe uma equipe completa dedicada exclusivamente à América Latina, com expansão física de escritórios na Cidade do México para suportar o crescimento no Brasil e México.
A meta para 2026 é clara: manter o Brasil no Top 3 global e expandir ainda mais a rede de embaixadores para cidades fora dos grandes centros.