Será que o Jensen Huang, o famoso “jaqueta de couro”, ouvirá a sugestão? CEO da Gigabyte diz que a NVIDIA deveria priorizar GPUs com maior retorno por GB de memória.
Aos que estão por fora, segue contextualização: a estratégia da NVIDIA para a fabricação das placas de vídeo GeForce RTX 50 em 2026 está sob análise.
Após a CES 2026, que não apresentou novas GPUs para o público geral, circularam informações sobre a interrupção da fabricação de alguns modelos da série, os colocando em fase final de ciclo.
A companhia forneceu um posicionamento sobre o assunto, complementado por uma entrevista exclusiva com o CEO da Gigabyte, Eddie Lin, durante o evento. As declarações ajudam a entender o cenário atual de fornecimento.
Como a escassez de memória GDDR7 influencia a produção
A NVIDIA confirmou, em nota, que a procura por suas GPUs permanece elevada, mas enfrenta limitações na disponibilidade de memória.
A empresa afirmou que continua a distribuir todos os modelos da linha GeForce e está em contato com seus fornecedores para aumentar o volume de chips GDDR7.
Apesar da mensagem indicar continuidade, a conversa com Eddie Lin da Gigabyte revela que decisões mais específicas sobre prioridades de fabricação estão sendo tomadas nos bastidores.
O executivo explicou que, diante da restrição de memória, a fabricante pode adotar um método de cálculo para definir quais produtos recebem mais recursos.
A lógica é focar nos segmentos que entregam maior retorno financeiro para cada gigabyte de VRAM utilizado, reduzindo a proporção de fabricação para aqueles com menor contribuição por GB. Em outras palavras, a alocação segue uma racionalidade econômica baseada no recurso escasso.
A matemática por trás da escolha dos modelos
Eddie Lin detalhou esse raciocínio com exemplos práticos. Uma GPU de 8 GB vendida a US$ 300 gera aproximadamente US$ 37,5 de receita por GB. Já um modelo similar de US$ 400 contribui com US$ 50 por GB.
Um produto de US$ 500 com 16 GB de VRAM, por sua vez, cai para cerca de US$ 32 de receita por GB, tornando-se menos interessante sob esta métrica.
Ele descreveu que a empresa pode ter 5 segmentos de produtos e optar por concentrar esforços nos segmentos 1, 3 e 5, enquanto reduz a porcentagem de fabricação nos segmentos 2 e 4, justamente onde a contribuição de receita por gigabyte de memória é inferior.
Com isso, uma série recente como a RTX 5070 Ti não seria descontinuada totalmente, como rumores indicavam; contudo, sua presença nas prateleiras seria mais incomum.
A decisão final, segundo Lin, passa por um cálculo preciso do valor que cada categoria entrega por gigabyte de VRAM consumido na produção.

Tabela comparativa de receita por gigabyte
A aplicação prática desse raciocínio pode ser observada na tabela abaixo, que lista os modelos, sua memória, preço sugerido e a receita bruta gerada por gigabyte de VRAM.
| Modelo | Tamanho da memória (GB) | MSRP | Receita bruta/GB | GPU |
|---|---|---|---|---|
| RTX 5060 | 8 | US$ 299 | US$ 37,38 | GB206 |
| RTX 5060 Ti 8GB | 8 | US$ 379 | US$ 47,38 | GB206 |
| RTX 5060 Ti 16GB | 16 | US$ 429 | US$ 26,81 | GB206 |
| RTX 5070 | 12 | US$ 549 | US$ 45,75 | GB205 |
| RTX 5070 Ti 16GB | 16 | US$ 749 | US$ 46,81 | GB203 |
| RTX 5080 | 16 | US$ 999 | US$ 62,44 | GB203 |
| RTX 5090 | 32 | US$ 1.999 | US$ 62,47 | GB202 |
| RTX Pro 6000 Blackwell | 96 | US$ 8.500 | US$ 88,54 | GB202 |
Quais placas de vídeo podem ter prioridade em 2026
Analisando os dados, percebe-se quais modelos se tornam mais ou menos estratégicos. A RTX 5060 Ti 8 GB, com receita de US$ 47,38 por GB, tem grandes chances de ser priorizada ao ser comparada com a RTX 5060 comum, mesmo com sua recepção inicial morna.
A versão de 16 GB da RTX 5060 Ti, por outro lado, se torna a mais vulnerável da série, com o menor índice de retorno por GB: apenas US$ 26,81.
No meio da linha, a RTX 5070 e a 5070 Ti possuem contribuição muito similar por gigabyte. Isso pode levar a NVIDIA a favorecer o modelo mais barato de produzir, a RTX 5070, ou diminuir a prioridade de ambos em favor da mais rentável RTX 5060 Ti de 8 GB.
No topo, RTX 5080 e 5090 têm valores quase idênticos por GB de VRAM. A escolha pode recair sobre a RTX 5080, que usa um chip de silício menor e um design de placa menos complexo, permitindo melhor uso do estoque de memória.
Para o consumidor que ainda não montou um PC, tudo isso pode ser considerado como uma péssima notícia, porque significa que as infames GPUs de 8 GB de VRAM não morrerão tão cedo, e que quem quiser ter uma quantidade moderada de memória de vídeo precisará desembolsar ainda mais dinheiro em um produto muito mais caro.
O fornecimento de memória para os parceiros
Um ponto adicional abordado por Eddie Lin diz respeito ao fornecimento da memória. O executivo afirmou que a Gigabyte continua a receber os chips GDDR7 empacotados diretamente com as GPUs da NVIDIA.
Esta prática protege os fabricantes de placas de terem que adquirir o componente no mercado aberto, no qual preços e disponibilidade são muito mais voláteis.
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CEO da Gigabyte diz que a NVIDIA deveria priorizar GPUs com maior retorno por GB de memória; conclusões
Com base nas informações acima, é possível projetar o cenário de disponibilidade para 2026. Modelos como a RTX 5060 Ti 8GB, a RTX 5070 e a RTX 5080 devem ser relativamente mais fáceis de encontrar nas lojas.
Em contrapartida, produtos com apelo entusiasta, como a RTX 5060 Ti 16GB e a RTX 5070 Ti, tendem a enfrentar oferta mais limitada.
Caso esse cenário se concretize, a situação pode ser considerada como uma confirmação parcial dos rumores dos últimos dias, envolvendo a RTX 5070 Ti. De fato, como a NVIDIA informou, o produto continuará a ser produzido; todavia, será muito mais difícil (e caro) para o consumidor comum conseguir adquiri-lo, assim como a ASUS sugeriu.
Por último, ressaltamos que a situação da melhor GPU do mundo, a RTX 5090, já está sendo refletida no mercado, com prateleiras vazias e preços significativamente acima do sugerido, indicando sua priorização reduzida no contexto atual de restrições.
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Fonte: VideoCardZ