Donos do novo Steam Controller começam a descobrir uma surpresa escondida dentro do gamepad recém-lançado pela Valve: ao ser solto no ar, o controle solta um grito agudo de pavor antes de tocar o chão.
O efeito é o famoso “grito de Wilhelm”, um dos sons mais reaproveitados da história do cinema, e a Valve embutiu a brincadeira sem qualquer aviso prévio na documentação oficial do produto.
A descoberta partiu do usuário u/RF3D19 no Reddit, que publicou um vídeo curto na comunidade r/SteamController mostrando o controle gritando durante uma queda livre.
A galera achou que era zoeira pura, mas o ceticismo inicial sumiu rápido. Mais compradores começaram a replicar o teste, veículos como PC Gamer, Engadget e IGN confirmaram a autenticidade da pegadinha, e o registro escapou da bolha técnica para virar viral.
Um grito que não deveria existir
A maior graça é que o Steam Controller não tem alto-falante. Ao contrário do DualSense do PlayStation 5, que conta com um pequeno transdutor frontal, o gamepad da Valve não foi projetado para emitir áudio próprio.
A solução adotada pelos engenheiros foi engenhosa: usar os motores hápticos como se fossem caixas de som de baixa frequência, fazendo as bobinas vibrarem em frequências audíveis para reproduzir o efeito sonoro.
A técnica não é novidade absoluta dentro da própria empresa: o Steam Controller original, lançado em 2015 e descontinuado quatro anos depois, já permitia que entusiastas programassem os motores hápticos para tocar trechos musicais como o hino dos Estados Unidos ou outros áudios curtos.
O resultado naquela época era rudimentar, e segue rudimentar agora, justamente o tipo de qualidade granulada que faz o grito soar ainda mais cômico.
Como o easter egg funciona
Bem, a reprodução do som depende de algumas condições. Primeiro, o acelerômetro do controle precisa detectar a queda em queda livre por tempo suficiente para que o firmware interprete o gesto como intencional.
Após disparar uma vez, o efeito entra em cooldown de aproximadamente um minuto, o que impede que o usuário ative a brincadeira em sequência rápida apenas balançando o aparelho.
Há também um elemento de aleatoriedade envolvido, pois mesmo dentro da janela permitida, o grito não soa em todas as quedas, o que denota a sensação de surpresa.
Relatos iniciais sugeriam que o Modo Big Picture da plataforma Steam precisava estar ativo para o efeito funcionar, mas testes posteriores derrubaram essa exigência. O controle pode gritar mesmo fora desse modo, embora o acionamento seja mais consistente quando o Big Picture está aberto.
O conselho compartilhado por quem testou: use uma superfície macia. Cama, sofá ou almofada bastam para acionar o sensor sem riscar a carcaça ou comprometer os trackpads do controle, que custou US$ 99 nos Estados Unidos.
Quem foi Wilhelm
O grito embutido no controle é provavelmente o efeito sonoro mais reciclado da indústria audiovisual.
Gravado originalmente em 1951 para o faroeste Tambores Distantes da Warner Bros., o áudio ganhou o apelido depois de aparecer em The Charge at Feather River, de 1953, em uma cena onde um personagem chamado Soldado Wilhelm é atingido por uma flecha.
“O Steam Controller oferece tanto uma excelente experiência pronta para uso quanto um playground para entusiastas ajustarem tudo à vontade.”
O som virou piada interna entre profissionais do setor graças a Ben Burtt, sound designer responsável pelo áudio das franquias Star Wars e Indiana Jones. Burtt resgatou o efeito do acervo da Warner e passou a inseri-lo discretamente em diversos filmes, hábito que se espalhou para outros editores.
Hoje o grito aparece em centenas de produções, incluindo Toy Story, Senhor dos Anéis, Kill Bill e a maioria dos blockbusters de Hollywood das últimas três décadas.
Não é o primeiro segredo escondido num controle
Easter eggs em hardware de games não são novidade, fabricantes vêm escondendo detalhes nos próprios periféricos há anos, embora a maioria seja visual ou táctil.
O caso da Valve se destaca por ser sonoro e por exigir uma ação tão específica.
| Hardware | Easter egg | Como ativar |
|---|---|---|
| Steam Controller (Valve, 2026) | Grito de Wilhelm via motores hápticos | Soltar o controle em queda livre |
| DualSense (Sony, 2020) | 40 mil símbolos PlayStation gravados na textura | Examinar a empunhadura com lupa ou macro |
| Switch Pro Controller (Nintendo, 2017) | Mensagem “thx2allgamefans!” | Olhar pela base do analógico direito com lanterna |
| Xbox One Controller (Microsoft, 2013) | Inscrição “Hello from Seattle” na placa interna | Desmontar o controle |
| Steam Controller original (Valve, 2015) | Motores hápticos tocavam músicas | Programação manual via mods |
A diferença é que, nos casos anteriores, o segredo recompensava quem inspecionava o produto com atenção. O grito do novo gamepad faz o oposto: ele se manifesta justamente no momento de descuido, transformando um acidente em piada.
Estoque esgotado e revenda inflacionada
O Steam Controller estreou no dia 4 de maio nos Estados Unidos e em alguns mercados internacionais, com preço sugerido de US$ 99 (cerca de R$ 490 pela cotação atual, sem incluir impostos brasileiros nem taxas de importação).
A demanda inicial foi tão alta que as unidades sumiram do estoque em meia hora, e os primeiros anúncios em sites de revenda já passaram dos US$ 200 (cerca de R$ 990).
A Valve abriu uma fila de reservas no dia 8 de maio para tentar conter a ação de cambistas, limitando a compra a uma unidade por conta Steam. A empresa também liberou os arquivos CAD do controle sob licença Creative Commons, gesto que incentiva a comunidade a criar acessórios e mods enquanto a produção em massa tenta acompanhar a procura.

O acessório integra a nova safra de hardwares da Valve ao lado do Steam Machine, mini-PC que teve o lançamento adiado por causa da crise de memória RAM, e do Steam Frame, óculos de realidade virtual. No Brasil, nenhum dos três produtos tem distribuição oficial confirmada pela fabricante.
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Por que a brincadeira funciona?
Easter eggs costumam ser eficientes quando ficam escondidos por anos e premiam o jogador paciente. O caso do Steam Controller foi um artifício de marketing: o som é fácil de acionar, fácil de identificar, e está espalhado pela internet menos de duas semanas após o lançamento.
A escolha do grito de Wilhelm conecta a Valve a uma tradição centenária de inside jokes do audiovisual. Reconhecer o som é parte do clube. Quem nunca ouviu o efeito sequer percebe o que está acontecendo; quem identifica a referência ganha um sorriso involuntário no meio de uma situação que normalmente seria de pânico, já que o controle custa praticamente o salário mínimo do estado e quase ninguém quer ver o próprio gamepad batendo no piso.
O mais legal é que a capacidade técnica está ali, os motores hápticos já provam que conseguem reproduzir áudio reconhecível, e a empresa tem histórico de adicionar recursos pós-lançamento. Um conjunto de gritos opcionais, com possibilidade de personalização pelo software do Steam, parece o próximo passo natural.
Por enquanto, fica o Wilhelm. E o pedido para que ninguém teste sobre piso duro.
Fonte(s): Reddit r/SteamController (post original de u/RF3D19), PC Gamer, Engadget e VGCIGN Brasil