Você comprou uma Radeon RX 6000 ou RX 7000 e sentiu que foi deixado para trás pela AMD? Oficialmente, a empresa afirma que o novo FSR 4 (FidelityFX Super Resolution 4) é um privilégio exclusivo da série RX 9000 (RDNA 4). No entanto, a comunidade descobriu que o “parquinho do upscaling por IA” pode, sim, estar aberto para placas mais antigas.
Neste artigo, exploramos como o FSR 4 funciona via “gambiarra” em hardwares antigos, os ganhos reais de qualidade e por que a AMD está sendo duramente criticada por essa limitação oficial.
O que é o FSR 4 e a polêmica do FP8 vs. INT8
A grande mudança do FSR 4 para seus antecessores é o uso massivo de Inteligência Artificial. A AMD justifica a exclusividade na série RX 9000 alegando que apenas o hardware RDNA 4 possui a aceleração necessária para rodar o modelo em FP8 (ponto flutuante de 8 bits) com alta performance.
No entanto, a própria AMD disponibilizou no GitHub (via iniciativa GPU Open) um código-fonte baseado em INT8 (inteiros de 8 bits). O INT8 é uma tecnologia mais leve e compatível com placas a partir da série RX 6000.
A analogia da régua
Para entender a diferença: usar INT8 em vez de FP8 é como usar uma régua que só tem marcações de centímetros, sem os milímetros. Há uma perda de precisão, mas o modelo roda de forma muito mais leve em hardwares que não são de última geração.
FSR 4 vs. FSR 3: o fim das “piscadinhas”
Um dos maiores problemas do FSR 3 é a instabilidade da imagem, gerando cintilações (shimmering) em objetos finos e vegetação. Nos testes realizados em jogos como Stalker, a diferença é brutal:
- FSR 3: muita cintilação na arma, grama “piscando” e pixels instáveis em poças d’água.
- FSR 4 (via INT8): entrega uma imagem muito mais estável, resolvendo problemas de cintilação até melhor do que a renderização nativa em alguns casos.
Performance: o preço da qualidade
Embora a qualidade visual melhore drasticamente, o FSR 4 exige mais do hardware antigo do que o FSR 3.
- Na série RX 9000 (Oficial): o impacto de habilitar o FSR 4 em relação ao FSR 3 é de apenas 9% de perda de performance.
- Na série RX 7000 (via INT8): em placas como a 7900 XTX, a perda chega a 30% ao trocar o FSR 3 pelo FSR 4.
- Em placas de entrada (RX 7600/6600): o impacto é menor quando usado em resoluções como Full HD (cerca de 16% a 17%), permitindo que placas populares entreguem uma imagem superior à nativa com mais frames por segundo.
Nem tudo são flores: bugs e “gambiarra”
Como não se trata de um suporte oficial, existem sérios problemas:
- Ghosting: o modelo atual do FSR 4 (tanto oficial quanto modificado) apresenta rastros visíveis em objetos em movimento rápido, como folhas caindo.
- Instalação Manual: é necessário substituir arquivos DLL jogo a jogo, um processo chato e sujeito a erros.
- Instabilidade: em placas como a RX 6600, foram relatados bugs visuais (flickering excessivo) que exigem reiniciar o jogo ou alternar configurações de upscaling para resolver.
- Incerteza: um update de driver da AMD pode quebrar essa implementação a qualquer momento.
A AMD deveria liberar o suporte oficial?
A conclusão é clara: o FSR 4 em modo INT8 é “bom o bastante”. Mesmo com a perda de performance, a estabilidade de imagem que ele traz para donos de placas RX 6000 e 7000 supera os defeitos visuais do FSR 3.
Ao esconder essa tecnologia, a AMD corre o risco de manchar sua imagem perante os entusiastas, especialmente quando concorrentes como a Nvidia focam em longevidade de recursos. Se a tecnologia funciona e melhora a experiência do usuário, por que não torná-la oficial?