O imortal continua se recusando a morrer: após Ubisoft lançar em 2025 a segunda expansão de The Division 2, chamada Battle for Brooklyn, o clássico título chegou a atingir 27.482 jogadores simultâneos na Steam, sendo este um novo recorde para o título na plataforma.
O jogo foi originalmente lançado em 2019 como sequência direta do primeiro The Division, que havia vendido mais de 10 milhões de cópias desde seu lançamento em 2016. A franquia já atraiu mais de 40 milhões de jogadores até o momento.
Desafios na operação de jogos como serviço
A equipe da Ubisoft Massive, estúdio responsável pela série, compara a manutenção de um jogo com suporte contínuo a dirigir um ônibus.
Fredrik Brönjemark, produtor sênior de The Division no estúdio, afirma que todos os jogadores a bordo têm opiniões sobre os rumos do desenvolvimento. A principal lição aprendida ao longo dos anos foi não tratar os fãs como garantidos.
François-Xavier Deniele, vice-presidente de marketing e esports de Rainbow Six Siege, havia utilizado anteriormente a metáfora de trocar o motor de um carro em movimento para descrever o mesmo tipo de operação.
A equipe de The Division adota a analogia do ônibus para enfatizar a necessidade de manter os jogadores alinhados com as decisões de desenvolvimento.
Reestruturação técnica e foco no endgame
Ao desenvolver a sequência, a Ubisoft identificou dois problemas centrais do primeiro jogo. O primeiro era técnico: a necessidade de reescrever o código antigo e reduzir a limitações técnicas para não comprometer futuras atualizações.
Yannick Banchereau, diretor criativo de The Division 2, explica que negligenciar esse aspecto eventualmente limita o que a equipe consegue implementar.
O segundo problema era de conteúdo. O primeiro The Division foi criticado pela falta de atividades após a conclusão da campanha principal.
Para a sequência, a equipe inverteu o processo de desenvolvimento: começou pelo endgame, definindo como ele funcionaria, e só depois estruturou a campanha. Banchereau considera essa mudança de mentalidade um dos fatores que permitiram manter The Division 2 ativo por mais tempo que seu antecessor.
O suporte pós-lançamento estava inicialmente previsto para terminar no final de 2020, após a expansão Warlords of New York. A desenvolvedora planejava migrar para outros projetos, incluindo Star Wars Outlaws e Avatar: Frontiers of Pandora. No entanto, o sucesso da DLC levou a Ubisoft a manter o jogo em atividade.
Brönjemark relata que reconstruir a equipe e retomar a produção de conteúdo levou tempo. O trabalho inicial foi discreto e focado em consolidar a base de jogadores existente antes de expandir para novos sistemas e funcionalidades.

Por que The Division 2 não se tornou gratuito
Enquanto Rainbow Six Siege migrou para o modelo gratuito em 2025, quase 10 anos após seu lançamento (com modos competitivos ainda atrás de acesso pago), a equipe de The Division descartou essa possibilidade.
Banchereau afirma que o modelo atual funciona bem para o jogo e destacou que a transição para o formato gratuito nunca fez sentido.
Brönjemark acrescenta que a equipe analisou a alternativa, mas a mudança exigiria adaptações no design do jogo. Embora a geração de receita seja necessária para manter o crescimento, a prioridade é fazê-lo de forma que os jogadores se sintam respeitados. Até o momento, não houve necessidade de alterar o modelo.
O cancelamento de Heartland e a chegada de The Division Resurgence
Em 2021, a Ubisoft anunciou The Division Heartland, um título independente gratuito liderado pela Red Storm. Após testes públicos e adiamentos, o projeto foi cancelado como parte de um esforço de reestruturação da empresa.
O plano de economia global de 200 milhões de euros da Ubisoft resultou no encerramento do desenvolvimento na Red Storm em março, com a perda de 105 empregos, além de demissões na Massive e na Ubisoft Stockholm em janeiro.
Brönjemark afirma que houve colaboração entre as equipes durante o desenvolvimento de Heartland e que algumas lições foram incorporadas a The Division 2, mesmo com o cancelamento do projeto.
A franquia também avançou para dispositivos móveis com The Division Resurgence. Segundo Brönjemark, o jogo tem gerado interesse mesmo entre jogadores que não são tradicionalmente fãs de plataformas mobile, o que ele atribui à força da base de fãs e ao desejo por mais experiências dentro do universo da série.

The Division 3 e a saída de Julian Gerighty
The Division 3 foi anunciado em 2023, mas ainda não tem data de lançamento. A equipe mantém duas frentes de desenvolvimento simultâneas: uma para o suporte contínuo de The Division 2 e outra para a sequência.
Banchereau afirma que a capacidade de trocar informações entre as equipes sobre o que funciona em um jogo como serviço coloca o time de The Division 3 em uma posição vantajosa.
Julian Gerighty deixou a Massive no início de 2026 para ingressar na DICE, após 12 anos no estúdio. Ele atuou como diretor criativo nos dois primeiros jogos da série e depois como produtor executivo supervisionando toda a franquia.
Brönjemark afirma que a saída não afeta os planos para o terceiro título, já que o roteiro estava definido e garantido há algum tempo.
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Perspectivas para a franquia
Banchereau diz não ter dúvidas de que a franquia continuará ativa na próxima década. O objetivo central, segundo ele, é manter uma comunidade engajada e jogadores satisfeitos. Com o lançamento de The Division Resurgence, a Ubisoft também busca atrair um novo público para a série.
Brönjemark observa que parte da base atual de jogadores busca justamente uma experiência consolidada, com histórico e perspectiva de longevidade.
Para finalizar, o executivo destaca que, após 8 anos, o jogo não apenas continua ativo, mas também cresce em termos de conteúdo planejado. Sendo assim, ficou claro que este ano é o mais ambicioso da equipe em volume de material para The Division 2 desde o seu lançamento.
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Fonte: GamesIndustry.biz