A Samsung finalizou os contratos de fornecimento de DRAM para o segundo trimestre de 2026 com uma alta média de 30% sobre os preços do trimestre anterior.
O reajuste foi confirmado pela publicação sul-coreana ETNews, com acesso direto a fontes da indústria, e vem logo após o fabricante ter praticamente dobrado os preços no primeiro trimestre do ano.
Para quem esperava alívio nas cotações de memória, as informações apontam na direção oposta.
100% no primeiro trimestre, mais 30% no segundo
Os números acumulados dos últimos dois trimestres desenham uma trajetória agressiva.
Segundo a ETNews, a Samsung já havia elevado o preço médio do DRAM em aproximadamente 100% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O reajuste do segundo trimestre, de 30%, representa uma desaceleração no ritmo, mas mantém a curva ascendente.
Para ilustrar a magnitude do movimento, a própria fonte utiliza um exemplo direto: se uma unidade de DRAM custava 10.000 wons no início de 2025, passou a 20.000 wons no primeiro trimestre e agora chega a 26.000 wons no segundo trimestre. Em termos práticos, o preço de fornecimento atual equivale a 2,6 vezes o valor base de um ano atrás.
A frase que circula no setor resume bem o momento: “hoje é o dia mais barato para comprar memória.” Um executivo da indústria ouvido pelo ETNews foi direto: “Ainda há muitos clientes competindo para garantir DRAM com antecedência, o que nos permite elevar os preços em cima da base do primeiro trimestre. No momento, não vemos nenhum sinal de estabilização ou queda nos preços em torno da demanda de IA.”
Alta abrange HBM, servidores, PCs e smartphones
Vale ressaltar que o reajuste da Samsung não se limita a um segmento específico. Os 30% representam a média entre diferentes categorias de produto, incluindo HBM para aceleradores de IA, DRAM de servidor, DDR5 para PCs e memória para dispositivos móveis. A amplitude do aumento denota a pressão generalizada sobre a cadeia de suprimentos de memória.

O mecanismo por trás da escassez é bem documentado: fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram capacidade produtiva para o HBM, que comanda margens maiores e tem demanda explosiva ligada à infraestrutura de IA. Isso deixou o DRAM convencional em situação de oferta restrita, empurrando os preços para cima mesmo nas categorias mais básicas.
É importante notar que produtos mais antigos, como o DDR4, apresentam comportamento diferente. A DRAMeXchange registrou estabilidade no preço fixo médio do DDR4 de 8Gb para PCs ao fim de março, em comparação com o mês anterior. Analistas atribuem esse alívio pontual à liquidação de estoques acumulados por especuladores, e não a uma reversão estrutural de demanda.
SK Hynix e Micron devem seguir o mesmo caminho
Com a Samsung, maior produtora de DRAM do mundo, sinalizando alta de 30%, a expectativa do mercado é que SK Hynix e Micron adotem aumentos semelhantes para seus próprios contratos do segundo trimestre. Fontes da indústria indicam que ambas as empresas já iniciaram negociações detalhadas com clientes sobre a extensão dos reajustes e a estrutura dos contratos.
A movimentação coordenada das três maiores fabricantes reduz consideravelmente o espaço para negociação por parte dos compradores. Quem adquire memória em volume, de fabricantes de notebooks a montadoras de servidores, terá que absorver os reajustes ou repassá-los à frente na cadeia.
A Micron tomou uma decisão particularmente simbólica nesse contexto: encerrou sua submarca Crucial, que atendia ao mercado de varejo há décadas, para concentrar a produção nos segmentos de maior margem ligados à IA.
LPDDR5 também deve subir em 2027
O horizonte além de 2026 também preocupa: segundo análises da SemiAnalysis, os preços de contrato do LPDDR5, memória presente em smartphones e dispositivos móveis de alto desempenho, já triplicaram desde o primeiro trimestre de 2025, chegando a cerca de US$ 10 por GB. As projeções indicam uma nova alta de dois dígitos em percentual para 2027.

Para o mercado de smartphones, os efeitos já são sentidos. O custo do DRAM passou a representar 35% do custo total de materiais de um aparelho entry-level, enquanto a memória NAND adiciona outros 19%.
Juntos, esses dois componentes respondem por mais da metade do custo de fabricação de um celular básico, pressionando fabricantes a repassar os aumentos ao consumidor final ou comprimir margens.
O terceiro trimestre como ponto de virada
Apesar da alta contínua, o mercado começa a monitorar sinais de desaceleração no ritmo dos reajustes. O segundo trimestre cresceu menos que o primeiro, e a dinâmica do terceiro trimestre deve indicar se a curva de preços irá se estabilizar em patamar elevado ou continuar subindo.
A chave está no equilíbrio entre expansão de capacidade produtiva e demanda por infraestrutura de IA. Analistas da TrendForce projetam que os preços de DRAM convencional devem subir entre 58% e 63% no segundo trimestre em termos anualizados, após alta de 90% a 95% no primeiro.
Nova capacidade relevante de produção dificilmente chegará ao mercado antes de 2027, o que mantém os fabricantes em posição confortável para ditar os termos por pelo menos mais alguns trimestres.
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O “caro hoje” ainda é barato amanhã
O padrão que emerge do mercado de memória em 2026 é o de uma indústria que inverteu sua lógica histórica. Por décadas, o DRAM foi associado a ciclos de queda brusca de preços e superprodução.
Agora, com a infraestrutura de IA consumindo capacidade em ritmo que os fabricantes não conseguem acompanhar, a narrativa mudou: cada trimestre que passa representa um novo piso de preços, e a competição por volume tornou-se mais determinante do que a busca por menor custo unitário.
Para consumidores e fabricantes de eletrônicos, 2026 confirma que a memória RAM deixou de ser uma commodity previsível para se tornar um dos recursos mais disputados da economia digital.
Fonte(s): ETNews