A espera pelo sucessor do Steam Deck pode ser ainda mais longa do que muitos esperavam. O leaker Kepler_L2, conhecido por antecipar informações precisas sobre hardware da AMD e do setor de consoles, afirmou no fórum NeoGAF que a Valve tem como alvo o ano de 2028 para o lançamento do Steam Deck 2.
O problema agora é que a crise global de memória RAM e armazenamento NAND ameaça deslocar essa janela para frente.
A informação emergiu em uma thread sobre handhelds, quando um usuário questionou se o Steam Deck 2 estaria pronto antes do lançamento do portátil da Sony. A resposta de Kepler_L2 foi direta: não.
Em seguida, o insider detalhou que a Valve mirava 2028, mas que “a situação toda de RAM e NAND” poderia adiar o projeto.
Uma crise que já chegou às prateleiras
A escassez de componentes de memória não é mais uma ameaça abstrata. A demanda explosiva de Data Centers de inteligência artificial por DRAM e NAND de alto desempenho vem esvaziando o estoque disponível para o mercado consumidor.
Os reflexos são imediatos: a própria Valve chegou a confirmar que o Steam Deck OLED ficou fora de estoque nos Estados Unidos devido a essa instabilidade no fornecimento global. Os três modelos do portátil chegaram a sumir simultaneamente da loja norte-americana.
No lado dos custos, os números são alarmantes. Preços de contrato para NAND flash subiram entre 55% e 60% em apenas um trimestre. Fornecedores já estariam com capacidade vendida até 2026, o que impacta diretamente o planejamento de qualquer fabricante que dependa desses componentes para lançar novos produtos.
A Sony, segundo relatos, estuda adiar o PlayStation 6 para 2028 ou 2029 por razões semelhantes. A Nintendo também foi afetada, chegando a reconsiderar a faixa de preço do Nintendo Switch 2 em meio ao encarecimento das peças.
O argumento a favor do atraso
Aqui reside um ponto que diferencia o Steam Deck 2 de rivais como o PS6 e o próximo Xbox. Sony e Microsoft trabalham com SoCs semicustomizados, desenvolvidos em parceria fechada com a AMD para uma especificação definida com antecedência.
Uma vez fechado o design, o hardware está travado. A Valve, por não operar com esse modelo, tem mais flexibilidade: se o lançamento for adiado, é possível incorporar arquiteturas mais novas e com isso elevar o desempenho final do produto.
Se o Steam Deck 2 chegar em 2028 ou depois, tudo indica que virá equipado com as arquiteturas RDNA 5 e Zen 6 da AMD, um salto considerável em relação ao atual Steam Deck, ainda baseado em RDNA 2 e Zen 2, as mesmas arquiteturas da geração do PlayStation 5 e do Xbox Series X lançados em 2020.
O que a Valve já disse sobre o sucessor
A postura da empresa é conhecida e pragmática. Em novembro de 2025, durante o evento em que a Valve apresentou o Steam Machine, o Steam Frame e o novo Steam Controller, o engenheiro Pierre-Loup Griffais explicou em entrevista à IGN por que o Steam Deck 2 ainda não faz parte dos planos imediatos.
A coisa que estamos garantindo é que seja um upgrade de desempenho suficientemente relevante para fazer sentido como um produto autônomo. Não estamos interessados em chegar a 20%, 30% ou até 50% a mais de desempenho com a mesma duração de bateria. Queremos algo um pouco mais demarcado do que isso. Então temos trabalhado a partir dos avanços de silício e melhorias arquiteturais, e acho que temos uma ideia bastante boa de como será a próxima versão do Steam Deck, mas agora mesmo não há ofertas no mercado de SoCs que achemos que seria verdadeiramente um Steam Deck de desempenho de nova geração
Pierre-Loup Griffais, engenheiro da Valve
Antes disso, em 2023, o designer Lawrence Yang já havia descrito o Steam Deck OLED como “o definitivo Steam Deck de primeira geração” e sinalizou que o sucessor levaria anos.

O próprio Gabe Newell confirmou que um Steam Deck 2 está em desenvolvimento, mas vinculou o lançamento a uma evolução tecnológica genuína.
Um mercado que cresceu ao redor do Deck
O Steam Deck original chegou em fevereiro de 2022 e vendeu cerca de 4 milhões de unidades nos seus primeiros três anos, abrindo caminho para uma geração de PCs portáteis que hoje conta com nomes como ASUS ROG Ally, Lenovo Legion Go e MSI Claw.
A atualização OLED de novembro de 2023 trouxe melhorias de display e eficiência, além de elevar a velocidade da RAM de 5.500 para 6.500 MT/s, mas preservou a mesma APU original.
Hoje, o portátil da Valve já fica atrás até do Nintendo Switch 2 em desempenho bruto, o que torna a pressão por um sucessor ainda mais evidente. O mercado de handhelds evoluiu rapidamente, e a concorrência chegou com hardware mais recente e sistemas operacionais que, mesmo sendo Windows, entregam frames adicionais em comparação ao Steam Deck.
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A espera pode virar vantagem competitiva
Se a crise de memória persistir além de 2026 e forçar um deslizamento do calendário da Valve, o Steam Deck 2 poderia chegar ao mercado já equipado com Silício da geração RDNA 6 ou com melhorias de renderização neural. Especulações apontam para a arquitetura AMD Medusa Point ou seu sucessor como candidatos ao SoC do próximo portátil.
O cenário mais provável é que a Valve fique de olho no amadurecimento das APUs da AMD e só feche o design quando conseguir atingir simultaneamente um salto expressivo de desempenho e a mesma autonomia de bateria do modelo atual.
Para uma empresa que não opera em ciclos de geração de console com prazos fixos, essa paciência pode ser uma vantagem real. A questão é se os fãs que esperam por um verdadeiro substituto terão o mesmo fôlego. O que você prefere? Comente abaixo!
Fonte(s): NeoGAF