A França está acelerando seus planos de soberania digital e, em um comunicado oficial divulgado nesta semana, a DINUM anunciou sua “saída do Windows em favor de estações de trabalho com o sistema operacional Linux”.
A DINUM é um setor importante do Estado francês, chefiado pela Direção Interministerial de Assuntos Digitais. Ou seja, essa mudança representará um marco importante na atuação do governo, eliminando a influência de interesses comerciais americanos nos computadores das estações de trabalho.
Presume-se que alguma versão francesa do Linux será adotada para atender ao objetivo declarado de migrar para soluções soberanas. Juntam-se à DINUM nessa missão de soberania digital a Direção-Geral de Empresas (DGE), a Agência Nacional de Segurança Cibernética da França (ANSSI) e a Direção de Compras Estatais (DAE).
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A migração para o Linux é descrita como uma das três “medidas iniciais concretas” recentemente anunciadas para reduzir a dependência digital extraeuropeia da França. Espera-se que o plano seja formalizado até o final do ano.
Até lá, as partes interessadas deverão saber quais “estações de trabalho, ferramentas colaborativas, software antivírus, inteligência artificial, bancos de dados, virtualização e equipamentos de rede” serão necessários para avançar com essa iniciativa de soberania digital.
O país europeu anunciou recentemente a migração de 80.000 funcionários do Fundo Nacional de Seguro Saúde para alternativas de código aberto a plataformas como Microsoft Teams, Zoom e Dropbox.
Essas plataformas comerciais foram descontinuadas pelos novos serviços Tchap, Visio e FranceTransfert (entre outros), que oferecem um conjunto de ferramentas modernas de produtividade colaborativa chamado La Suite.
Motivações
Os ministros franceses querem reduzir a dependência de tecnologias que dependem de interesses externos ou são controladas por eles. Porém, há questionamentos se a crescente tensão entre os EUA e seus aliados europeus tradicionais impulsionou o movimento pela soberania digital na França.
E as implicações para empresas de software e serviços do outro lado do Atlântico não parecem boas. Como membro líder da UE, as decisões e a direção da França podem exercer forte influência sobre outros países do bloco.
Além disso, se a migração para o Linux for vista como um sucesso, poderá influenciar outros departamentos governamentais e organizações que trabalham em estreita colaboração com o governo, e assim por diante, até chegar aos usuários individuais.
No caso francês, porém, trata-se de um país com histórico, dado por exemplo o esforço que ele empreendeu para o desenvolvimento do caça Dassault Rafale, enquanto outros países do bloco optaram pelo consórcio que gerou o Eurofighter Typhoon.
Fonte: Governo Francês, com tradução do Tom’s Hardware.