NVIDIA projeta receita de US$ 1 trilhão com Blackwell e Vera Rubin até 2027

Durante o keynote de abertura da GTC 2026, em San Jose, na Califórnia, o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, foi além dos números técnicos habituais e lançou uma projeção financeira que sacudiu investidores e analistas do setor: a empresa projeta pelo menos US$ 1 trilhão em demanda acumulada por seus chips Blackwell e Vera Rubin até o fim de 2027.

A cifra representa o dobro do que Huang havia mencionado meses antes. Na edição anterior da conferência, em Washington, ele havia projetado US$ 500 bilhões em demanda pelos mesmos produtos até 2026.

“Agora, não sei se vocês sentem o mesmo, mas US$ 500 bilhões já é uma quantia enorme de receita”, disse Huang ao público. “Mas estou aqui para dizer que, de onde estou agora, poucos meses após a GTC DC, um ano após a última GTC, vejo, até 2027, pelo menos US$ 1 trilhão.”

O que está alimentando essa demanda

A base dessa projeção é a combinação entre a atual geração Blackwell e a nova arquitetura Vera Rubin, que a NVIDIA começou a produzir oficialmente em janeiro de 2026.

O Vera Rubin foi anunciado originalmente em 2024 e posicionado por Huang como o estado da arte em hardware de IA, capaz de operar 3,5 vezes mais rápido que o Blackwell em tarefas de treinamento de modelos e 5 vezes mais rápido em inferência, atingindo até 50 petaflops.

A empresa planeja intensificar a produção no segundo semestre deste ano, o que deve ampliar o volume disponível para os grandes compradores, hiperescaladoras, provedores de nuvem e laboratórios de IA que seguem expandindo suas capacidades de computação em ritmo acelerado.

Um dos vetores de crescimento de receita identificados pela própria companhia é o design do próximo chip da linha, o Rubin Ultra, que dobrará o número de chiplets de computação em relação ao Blackwell e ao Rubin padrão, passando de dois para quatro.

O aumento na complexidade do hardware tende a elevar o preço médio dos produtos, o que contribui diretamente para o crescimento da receita por unidade vendida. A geração seguinte, batizada de Feynman, deve manter o design com quatro chiplets, indicando que esse patamar de preços veio para ficar.

Divulgação/NVIDIA

Os números atuais da NVIDIA

Para contextualizar a escala da projeção, vale observar o desempenho recente da empresa. No ano fiscal de 2026, encerrado em janeiro de 2026, a NVIDIA registrou receita de US$ 215 bilhões, um salto expressivo frente aos US$ 130,5 bilhões do ano anterior.

Para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a companhia projeta receita de US$ 78 bilhões, ante US$ 44 bilhões no mesmo período do ciclo anterior.

Se a empresa mantiver uma taxa de crescimento anual próxima a 164% — ritmo similar ao registrado recentemente —, analistas projetam que a receita anual poderia chegar a US$ 578 bilhões no ano fiscal de 2028. Alguns analistas de mercado estimam que a NVIDIA poderia atingir US$ 1 trilhão em receita anual por volta de 2030, em um cenário de expansão contínua dos investimentos globais em infraestrutura de IA.

“Vejo, através de 2027, pelo menos US$ 1 trilhão”, afirmou Jensen Huang durante seu keynote na GTC 2026, em referência à demanda acumulada pelos chips Blackwell e Vera Rubin.

Cifra sem precedentes no mundo corporativo

Para dimensionar o que US$ 1 trilhão em receita acumulada significa, basta observar que nenhuma empresa no mundo gera esse valor em um único ano.

O maior faturamento anual do planeta pertence ao Walmart, com US$ 681 bilhões no último ano fiscal. A Amazon registrou US$ 638 bilhões, e a Apple fechou 2025 com US$ 391 bilhões. Se a NVIDIA atingir US$ 1 trilhão até 2027, seu faturamento acumulado no período superaria o que Apple e Amazon geraram juntas em 2025.

A projeção também supera amplamente o valor de mercado de boa parte das economias nacionais. O PIB do Brasil em 2025, segundo o IBGE, foi de R$ 12,7 trilhões — o equivalente a cerca de US$ 2,2 trilhões pelo câmbio médio do período, posicionando o país como a 11ª maior economia do mundo.

Ou seja: a NVIDIA projeta arrecadar, em chips de IA ao longo de dois anos, praticamente metade de tudo o que o Brasil produz em um ano inteiro com seus 215 milhões de habitantes, sua agropecuária recordista, sua indústria extrativa e todo o seu setor de serviços somados.

Divulgação/NVIDIA

Gargalo de produção: a questão da TSMC

A principal incógnita para que a projeção se concretize não está na demanda — que, segundo Huang, já existe —, mas na capacidade de fornecimento.

A NVIDIA depende criticamente da TSMC para a fabricação de seus chips avançados, e a expansão de capacidade da fundição taiwanesa segue em ritmo considerado conservador pelo mercado.

O próprio Huang já alertou publicamente que a TSMC precisa “trabalhar muito” para atender à demanda de IA.

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A trajetória da NVIDIA nos últimos três anos é, em si, um fenômeno sem paralelo na história corporativa. A empresa saiu de uma receita anual de US$ 26 bilhões em 2023 para US$ 215 bilhões em 2026, um crescimento de mais de 700% em três anos.

Projetar US$ 1 trilhão em vendas acumuladas até 2027 seria, portanto, a conclusão de uma curva que ainda não dá sinais de desaceleração. O que torna esse momento singular não é apenas a escala dos números, mas a velocidade com que eles se tornam obsoletos: a cada novo GTC, a projeção dobra.

Se essa cadência continuar, a próxima atualização pode tornar o US$ 1 trilhão apenas mais um marco no caminho.

Fonte(s): NVIDIA

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