A Microsoft enfrenta um novo revés em sua estratégia de inteligência artificial, ao adiar para 2026 a produção de seu chip de IA, segundo reportagem do site The Information. A notícia indica que a empresa está ficando para trás na corrida tecnológica contra rivais como NVIDIA, Google e Amazon.
O chip, conhecido pelo codinome “Maia” e posteriormente rebatizado como “Braga”, foi anunciado pela primeira vez em novembro de 2023, com promessas de alimentar soluções avançadas de IA dentro da infraestrutura da Azure. A expectativa era de iniciar a produção em massa em 2025, mas o cronograma foi adiado em pelo menos seis meses.
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Mudanças de design e perda de talentos
Entre os principais motivos apontados para o atraso estão mudanças inesperadas no design do chip, exigidas inclusive por parceiros como a OpenAI, e dificuldades internas de equipe. Segundo as fontes ouvidas pela The Information, a Microsoft enfrentou uma saída significativa de engenheiros-chave, com até 20% da equipe original deixando o projeto.
Esse tipo de problema não é exclusivo da Microsoft. O setor global enfrenta uma crise de talentos na indústria de semicondutores, afetando cronogramas e a capacidade de inovação de grandes empresas.
Performance abaixo da expectativa
Mesmo após anos de desenvolvimento, o chip Braga estaria aquém das expectativas em termos de desempenho. Ainda de acordo com a apuração da The Information, ele deve ter performance inferior ao Blackwell, o novo chip de IA da Nvidia previsto para 2025. Isso pode reforçar a dependência da Microsoft em relação aos chips da rival — um cenário contrário ao que a empresa desejava ao apostar em soluções próprias.
A tentativa da Microsoft de produzir seus próprios chips também tem como objetivo diminuir os altos custos operacionais da IA generativa. Um exemplo do impacto geopolítico e logístico nesses projetos é o da DeepSeek R2, que teve seu lançamento adiado por conta das restrições às GPUs da Nvidia na China.
Enquanto isso, concorrentes avançam
O Google já opera com sua linha de TPUs (unidades de processamento tensorial), e recentemente anunciou a versão TPU v5p com desempenho superior ao da geração anterior. A Amazon também está em estágios avançados com o chip Trainium 2 e desenvolve o Trainium 3 para aplicações de IA em seus servidores.

Ao mesmo tempo, outras empresas aceleram seus processos. A Apple, por exemplo, já utiliza IA generativa para acelerar o desenvolvimento de seus chips, mostrando que a integração de IA no design de hardware pode ser uma vantagem competitiva significativa.
No lado da produção, a Samsung intensificou a fabricação de memórias LPDDR6 na China, reforçando sua atuação na cadeia global de suprimentos e pressionando empresas que enfrentam gargalos, como a Microsoft.
Histórico e ambições
O desenvolvimento do chip Braga teria começado por volta de 2019, mas só em 2023 a Microsoft anunciou oficialmente sua entrada no setor com um processador voltado para cargas de trabalho de IA. Além do chip de inferência, a empresa também tinha planos para um processador de treinamento, mas esse projeto teria sido cancelado, segundo a Tom’s Hardware.
Mesmo com os atrasos, a Microsoft mantém o investimento em parcerias com a OpenAI e na expansão da infraestrutura Azure, usando atualmente chips Nvidia H100 para sustentar seus serviços de IA como o Copilot e o Azure AI Studio.
Fonte: The Information