Se você sentiu que o mercado de hardware mudou drasticamente nos últimos meses, você não está sozinho. O que antes era uma relação estreita entre a NVIDIA e a comunidade gamer parece ter tomado um novo rumo: o dos escritórios corporativos e dos centros de processamento de inteligência artificial.
Neste artigo, exploramos o cenário preocupante para quem pretende atualizar o PC nos próximos anos, desde o aumento real de preços no Brasil até os rumores de um “hiato” inédito no lançamento de novas GPUs.
NVIDIA: de “rainha dos gráficos” a gigante da IA
No final de 2023, o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, declarou que a NVIDIA não era mais uma empresa de gráficos, mas sim uma empresa de IA. Essa mudança de foco reflete-se nos números: enquanto a divisão gamer gerou US$ 4 bilhões em receita no último trimestre, a divisão de Data Centers (focada em IA) arrecadou impressionantes US$ 41 bilhões.
Com uma receita 10 vezes maior vinda do setor corporativo, o incentivo para priorizar o consumidor doméstico diminuiu drasticamente.
O fim do “preço sugerido” e o aumento nos custos
Um dos pilares que mantinha o mercado equilibrado era o OPP (Open Price Program), uma iniciativa da NVIDIA que oferecia suporte financeiro para que parceiras (como Asus e MSI) mantivessem modelos básicos dentro do preço sugerido (MSRP). Rumores indicam que esse programa chegou ao fim.
Somado a isso, enfrentamos:
- Escassez de memórias: o mercado de Data Centers está “sugando” toda a produção de memórias e energia disponível.
- Alta nos preços no Brasil: entre novembro de 2023 e o início de 2024, placas populares como a RTX 5060 e RTX 5050 viram aumentos de cerca de 20% no mercado nacional.
Rumores: 2026 será um ano sem novas GeForce?
Pela primeira vez em três décadas, a NVIDIA pode não lançar nenhuma nova arquitetura de GPU em um ano cheio. De acordo com vazamentos, a suposta linha “Kicker” (uma atualização Super para a série 50) pode ter sido cancelada, e a futura RTX 60 pode ser empurrada para o final de 2027 ou até 2028.
O motivo? A baixa disponibilidade de componentes e a prioridade total ao hardware para servidores.
Onde ficam AMD e Intel nessa história?
Enquanto a NVIDIA domina 90% do mercado gamer, a concorrência parece seguir seus passos.
- Intel: traz promessas com a arquitetura Panther Lake e gráficos integrados potentes, que podem desafiar placas de entrada no futuro.
- AMD: tem focado em acompanhar as tecnologias de software da Nvidia (como FSR vs DLSS), mas muitas vezes deixa o consumidor brasileiro no escuro ao não trabalhar com preços sugeridos oficiais no país.
É hora de comprar ou esperar?
Com a perspectiva de que “o melhor preço é o de hoje e amanhã pode piorar”, a recomendação atual é cautela, mas sem hesitação excessiva. Não há sinais de novos lançamentos de hardware da NVIDIA para o curto prazo, e o desenvolvimento parece estar migrando para o campo do software, como o DLSS 4.5 e o Nvidia Reflex de segunda geração.
Se você precisa de hardware novo, esperar por 2026 pode resultar apenas em encontrar prateleiras mais vazias e preços ainda mais elevados.