Embora o hype pela inteligência artificial (IA) generativa esteja em alta e muitas desenvolvedoras de games estejam usando a tecnologia, sua implementação nem sempre é a útil. Quem afirma isso é Jon Gibson, da Keywords Studios, que afirma já ter testado mais de 500 ferramentas disponíveis no mercado.
Em uma entrevista ao The Game Business, Gibson afirmou que, entre todas as soluções que testou, somente aproximadamente seis delas se provaram realmente úteis. Na desenvolvedora, ele trabalhou dando suporte à criação de grandes jogos como Dune Awakening, Marvel Rivals, Deadline Island 2 e Marvel’s Guardians of the Galaxy.
“Há muito lixo por aí”, afirmou ele em relação ao mercado de IA. “Fazemos muita pesquisa e desenvolvimento dentro da Keywords. Testei cerca de 500 ferramentas de IA diferentes em alguns dos projetos que fiz, e há cerca de meia dúzia que sinto que complementam o desenvolvimento do jeito certo”.
Maioria das ferramentas de IA não resolve problemas
Gibson explica que, em sua visão, o problema reside na forma como muitas ferramentas de IA são desenvolvidas. Ele afirma que muitas delas realmente fazem algo que pode ser considerado legal, mas não foram pensadas para resolver problemas reais que surgem durante o desenvolvimento de um game.
Segundo ele, o mercado parece estar em sua “fase de caos” no momento atual, e precisa evoluir rapidamente para um estágio onde traga soluções úteis. “Como usamos a IA na produção ao vivo de ambientes? Como a usamos de uma forma que complemente times, em vez de ameaçá-los?”, questiona.
“E também, como usamos em um contexto onde é governada, controlada, é segura para propriedades intelectuais, legalmente, e é segura eticamente e moralmente?”, continuou. O membro da Keywords também afirma que há um “salto tremendo” que separa demonstrações que podem geral algo das ferramentas que trazem resultados consistentes e mensuráveis.
Segundo ele, muitos estúdios de games estão usando a IA porque ela “é legal” e estão tentando encaixar seus resultados dentro de suas linhas de desenvolvimento. No entanto, ele acredita que a real utilidade da tecnologia só vai aparecer quando ela se mostrar capaz de avaliar problemas em contextos reais e oferecer soluções que façam sentido a partir desse ponto.
Fonte: VGC