Depois da Western Digital, Seagate anuncia que já vendeu todo o estoque de HDDs para 2026

A escassez de componentes de armazenamento atingiu um novo patamar crítico nesta semana. A Seagate confirmou oficialmente que toda a sua produção de discos rígidos para o ano de 2026 já foi vendida, seguindo o movimento antecipado pela sua principal concorrente.

Com HDDs esgotados tanto pela Seagate quanto pela Western Digital, o mercado de hardware enfrenta um cenário de restrição severa que deve impactar preços e disponibilidade globalmente.

Dave Mosley, CEO da Seagate, declarou que a capacidade de produção da empresa para o segmento nearline (voltado a servidores e data centers) está totalmente comprometida.

A companhia já se prepara para abrir pedidos referentes ao primeiro semestre de 2027, enquanto negociações para 2028 começam a surgir no horizonte de grandes clientes corporativos.

Divulgação

O efeito dominó da inteligência artificial

Como é sabido pela maioria que acompanha o setor, a corrida pela infraestrutura de IA é o motor dessa demanda desenfreada: grandes empresas de tecnologia estão construindo Data Centers massivos para treinar e operar modelos de inteligência artificial, o que exige quantidades colossais de armazenamento de dados. Vender no corporativo é mais lucrativo que no varejo.

Segundo relatórios recentes, provedores de nuvem e hyperscalers estão priorizando HDDs em vez de SSDs para armazenamento em massa devido ao custo.

Atualmente, o preço por TeraByte de um SSD pode ser até 16 vezes superior ao de um disco rígido convencional. A disparidade financeira torna os HDDs a escolha lógica para armazenar exabytes de dados de treinamento, logs e backups que não exigem a velocidade instantânea das memórias flash.

Como resultado, fabricantes como a Seagate e a Western Digital direcionam quase totalidade de suas linhas de montagem para atender a esses contratos gigantescos.

Western Digital prioriza a nuvem

A situação da Seagate espelha o que foi revelado recentemente pela Western Digital. Irving Tan, executivo da WD, confirmou que a empresa também não possui mais estoque para 2026.

Dados financeiros mostram que 89% da receita da WD agora provém de gigantes da nuvem, deixando apenas 5% para o mercado de consumidores finais.

Divulgação/Western Digital

A mudança de foco afeta diretamente a cadeia de suprimentos de hardware. Com a prioridade voltada para contratos corporativos de longo prazo, a disponibilidade de unidades para desktops domésticos e pequenas empresas tende a diminuir, pressionando os preços no varejo.

Impacto para o PC Gamer e consoles

Embora o armazenamento primário de jogos tenha migrado para SSDs rápidos (ma exigência nos consoles atuais como PlayStation e Xbox, os HDDs ainda eram uma opção popular para bibliotecas secundárias de PC Games e backups extensos.

A escassez pode forçar o consumidor a pagar mais caro por qualquer tipo de armazenamento magnético restante no mercado

Além disso, o aumento nos custos de infraestrutura pode encarecer serviços de assinatura e jogos em nuvem. Empresas como a Microsoft e a Sony dependem desses mesmos data centers para expandir seus ecossistemas digitais.

Se o custo do armazenamento sobe para elas, é provável que parte dessa conta chegue ao usuário final. O cenário também pressiona fabricantes de processadores e GPUs.

Com a NVIDIA e a AMD focadas em entregar chips para esses mesmos Data Centers de IA, e a Intel tentando recuperar terreno nesse setor, o hardware para o consumidor comum disputa espaço em fábricas sobrecarregadas.

Até mesmo a Nintendo, que opera em um ciclo diferente, pode sentir os efeitos indiretos na cadeia de logística global.

Leia também:

Futuro do armazenamento e propriedade

A confirmação de que os estoques de 2026 voaram das prateleiras antes mesmo do ano começar acende um alerta sobre o futuro da propriedade de hardware. À medida que o setor corporativo absorve a maior parte dos componentes físicos, o modelo de “tudo como serviço” ganha força por necessidade técnica.

Se montar um PC local com grande capacidade de armazenamento se tornar proibitivo, a dependência da nuvem será total. O usuário deixa de ser dono do seu equipamento para se tornar um locatário vitalício de espaço em servidores alheios.

Fonte(s): Seeking Alpha

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima