Uma nova descoberta científica quer remover um dos maiores obstáculos para a popularização das baterias de Íon-Sódio em veículos elétricos e eletrônicos.
Pesquisadores identificaram que a adição de um material específico ao anodo pode eliminar os “engarrafamentos” de íons, permitindo velocidades de recarga teoricamente superiores às das baterias de lítio atuais.
Por conta disso, gigantes como a CATL começaram a introduzir essa tecnologia em carros de produção em massa, sugerindo uma mudança significativa no cenário de hardware e energia.
Até recentemente, a densidade energética inferior e a velocidade de carga inconsistente impediam que o ódio fosse uma alternativa completa ao lítio.
No entanto, o novo estudo, publicado no final de 2025, sugere que o problema não era uma limitação química inerente ao sódio, mas sim uma falha na estrutura dos materiais usados até então.
O fim do gargalo energético
Diferente das baterias de Lítio, que utilizam grafite no anodo, as baterias de Íon-Sódio dependem de carbono duro (hard carbon), pois o grafite não consegue armazenar íons de sódio eficientemente.
Embora a estrutura do carbono duro seja promissora para cargas rápidas, os cientistas enfrentavam dificuldades para provar essa teoria na prática devido a gargalos na movimentação dos íons.
A solução encontrada foi misturar o carbono duro com Óxido de Alumínio, um material quimicamente inativo. Segundo os pesquisadores, essa adição no anodo permitiu que os íons viajassem livremente para dentro das partículas de carbono, eliminando o “trânsito” que limitava a velocidade de recarga.
Com esse obstáculo removido, a tecnologia pode finalmente atingir seu potencial máximo de velocidade, tornando-se atraente para o mercado de tecnologia.

CATL e a produção em massa
Enquanto a Ciência resolve a química, a indústria avança na fabricação. A fabricante chinesa CATL já está implementando suas baterias de Sódio, batizadas de Naxtra, em veículos comerciais.
A empresa afirma que suas novas células podem carregar até 80% em apenas 15 minutos e funcionam muito bem em temperaturas extremas, retendo carga mesmo a -40°C, um cenário onde o Lítio costuma falhar.
Com a validação científica de que o carregamento rápido é viável e escalável, a CATL e outras fabricantes podem focar em otimizar a densidade das células.
O objetivo é reduzir o peso final dos pacotes de bateria, permitindo que carros elétricos mais baratos tenham autonomias competitivas sem carregar “peso morto”.
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O Sódio vai substituir o Lítio?
Apesar do entusiasmo, a resposta curta é: provavelmente não. O panorama mais realista para o futuro próximo é um sistema híbrido. As baterias de Íon-Sódio devem dominar segmentos de entrada e armazenamento estacionário de energia, onde o custo baixo e a segurança (são menos inflamáveis) são prioritários.
Já o Lítio deve continuar reinando em dispositivos de alta performance e veículos de luxo que exigem a máxima densidade energética possível.
Alguns analistas preveem que futuros carros elétricos poderão usar um sistema misto, combinando células de Sódio para a carga base e células de Lítio para performance, ou simplesmente segmentar o mercado. De qualquer forma, a dependência global de minerais caros e escassos como o lítio e o cobalto está com os dias contados.
Logo, a evolução das baterias de Sódio deixa de ser uma questão de “se” para se tornar uma questão de “quando”.
Fonte(s): Chemical Science