Samsung, SK Hynix e Micron se unem para barrar estoque excessivo de memória e conter especulação

Em um movimento raro de cooperação no extremamente competitivo mercado de tecnologia, as três maiores fabricantes de chips de memória do mundo (Samsung, SK Hynix e Micron) formaram uma frente unida para investigar o estoque excessivo de seus próprios clientes.

O objetivo é realizar um rigoroso controle de estoque de memória, exigindo transparência sobre os volumes de pedidos e o destino final dos componentes.

Segundo informações divulgadas pelo Nikkei Asia, a medida foi tomada de maneira urgente para impedir que empresas acumulem estoques excessivos, uma prática que agrava a escassez global e distorce os preços do mercado.

A auditoria conjunta é de fato um ponto de inflexão na indústria: as fabricantes estão solicitando que seus clientes revelem para quem estão vendendo e justifiquem o volume de suas compras.

A intenção é óbvia: assegurar que ninguém esteja comprando mais do que o necessário para criar um “colchão” de segurança artificial, o que poderia desencadear uma bolha de preços insustentável a longo prazo.

Reprodução/Bloomberg via Getty Images

O trauma do pós-pandemia

Mas engana-se fortemente quem acha que eles fazem isso por benevolência ao mercado…

A cautela das gigantes tem uma raiz histórica recente e dolorosa: durante a pandemia, a demanda por eletrônicos e PCs disparou, levando a uma escassez severa. As fabricantes investiram pesado para aumentar a produção, mas quando a demanda esfriou em 2022, o mercado foi inundado por um excesso de oferta.

Naquela ocasião, os clientes haviam feito pedidos duplicados e triplicados para obter o fornecimento. Quando o consumo caiu, esses pedidos foram cancelados, e as fabricantes ficaram a ver navios com armazéns lotados e preços em queda livre.

A receita do setor despencou, obrigando empresas como a Samsung a cortar a produção de DRAM e NAND Flash para estancar a sangria financeira.

Desta vez, com a demanda voltando a subir em 2025 e 2026, impulsionada principalmente pela Inteligência Artificial e novos ciclos de atualização de hardware, as fabricantes querem evitar repetir o erro.

O controle rígido visa assegurar que, se a demanda cair novamente, não haverá um excedente massivo nas mãos dos clientes que force uma nova guerra de preços predatória.

Reprodução/Bloomberg via Getty Images

Repercussão para o consumidor e os preços

Para o consumidor final e entusiastas de hardware, o panorama imediato pode ser da continuidade de preços altos. Ao bloquear a compra excessiva de memória mais barata agora, as fabricantes forçam o mercado a seguir os preços atuais, que estão em tendência de crescimento.

Dispositivos de entrada e médio porte, como roteadores, tablets e notebooks baratos, devem ser os mais afetados inicialmente.

Por outro lado, essa estratégia pode trazer benefícios a longo prazo:

  • Estabilidade: evita flutuações violentas de preço (o ciclo de boom e bust).
  • Acesso para menores: impede que grandes corporações monopolizem o estoque disponível, permitindo que fabricantes menores consigam comprar componentes para seus produtos.
  • Confiança para investir: com uma demanda real e verificada, Samsung, SK Hynix e Micron sentem-se mais seguras para investir bilhões em novas fábricas sem o medo de ficarem ociosas em dois anos.
Divulgação/SK hynix

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O fator inteligência artificial

Como muitos já perceberam, a atual escassez não é apenas fruto de especulação, mas também de uma mudança tectônica na prioridade das linhas de produção.

A explosão da IA generativa fez com que a capacidade fabril fosse desviada para memórias de alta performance, como as HBM (High Bandwidth Memory), usadas em aceleradores da NVIDIA e da AMD.

Fabricar chips HBM é mais complexo e consome mais recursos do que produzir a memória DDR5 padrão usada para computadores gamer e consoles.

Com as linhas de produção ocupadas atendendo à demanda insaciável dos Data Centers, sobra menos espaço para a memória convencional, apertando ainda mais a oferta para o mercado de consumo tradicional.

Se a estratégia de contenção funcionar, o mercado poderá ver um 2027 mais equilibrado, com novas fábricas entrando em operação e uma distribuição mais justa dos chips disponíveis.

Até lá, a ordem é disciplina e vigilância máxima sobre cada wafer de silício que sai das fábricas.

Fonte(s): Nikkei Asia

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