Após muitas negociações, a NVIDIA deve retomar em breve a exportação de seus chips especializados em inteligência artificial (IA) H20 para a China. Isso só será possível graças a um acordo com o governo dos Estados Unidos, que garante que a empresa vai ter que dar 15% de suas receitas sobre os produtos — mas isso não significa que ela vai abrir a mão de suas margens.
Segundo o analista Gene Munster, da Deepwater Asset Management, a companhia deve simplesmente repassar a taxa para seus consumidores chineses. A previsão é que, assim que a exportação da linha H20 for retomada, ela deve chegar ao país com um aumento de 18% em seus preços.
Assim, embora a NVIDIA deva trabalhar com uma margem de lucro reduzida, a exportação dos produtos ainda vai compensar bastante para ela. Segundo Munster, atualmente a empresa trabalha com uma margem bruta de 71%, mas, com o acordo feito com o governo dos Estados Unidos e o reajuste de valores, as H20 exportadas para a China devem trabalhar com uma margem de 60%.
NVIDIA ainda enfrenta alguns desafios
O analista também afirma que, dentro das operações gerais da NVIDIA, a diminuição na margem de lucro bruta não deve trazer grandes efeitos. Considerando que as vendas da H20 para a China colaboram com 15% da receita total da empresa, isso faria com que sua margem de lucro bruta geral caísse de 71% para 69,3%.
Assim, por mais que o governo dos Estados Unidos ainda obtenha 15% das receitas geradas pelos chips com preços maiores, o negócio ainda seria positivo para a fabricante. No entanto, ela ainda deve enfrentar alguns desafios antes que possa voltar a enviar hardwares para o país asiático.

O primeiro deles vem do fato de que a medida do governo Donald Trump é inédita e, por isso, ainda não está certo se ela é totalmente legal. Por outro lado, o governo chinês tem acusado a companhia de colocar nos componentes backdoors que colocam em risco as operações das empresas que os adquirem.
Até o momento, a NVIDIA não confirmou o possível aumento de preços, tampouco divulgou uma data para reiniciar seus envios. Além dela, a AMD também deve se beneficiar do acordo, e há indícios de que outras empresas podem querer participar dele para não perder as grandes receitas oferecidas pelo mercado chinês.
Fonte: Money-DJ