Grupo australiano antipornografia assume créditos por censura do Steam

Na semana passada, o Steam decidiu que vai passar a dar a operadoras de pagamento o poder de decidir quais jogos são ou não adequados a seu catálogo. Poucos dias depois de isso acontecer, o grupo australiano Collective Shout afirmou que foi o responsável pela mudança, que já resultou na remoção de vários jogos adultos da loja.

Baseado na Austrália, o coletivo foi fundado em 2009 por Melinda Tankard Reist, uma “feminista pró-vida”. Sua missão é fazer campanhas “contra a objetificação de mulheres e a sexualização de garotas na mídia, propagandas e na cultura popular”. Desde então, o grupo já tentou banir as músicas de Snoop Dog e Eminem no país, bem como fez a Target e a Kmart pararem de vender GTA 5 por lá.

Foto: Divulgação/Valve

No mundo dos games, a Collective Shout também colaborou para a campanha que resultou na remoção do jogo No Mercy do Steam. O grupo tentou fazer algo semelhante com Detroit: Become Human, da Quantic Dream, afirmando que o jogo tem cenas de violência inadequadas envolvendo menores de idade.

Grupo quer remover quase 500 jogos do Steam

Assumindo a responsabilidade pelas mudanças no Steam, Melinda publicou no X que “jogadores pedófilos com o cérebro atrofiado pela pornografia” ficaram incomodados com a mudança. Segundo ela, os “fetichistas estão tão desesperados para obter jogos de incesto sobre estuprar irmãs menores que estão trocando pistas sobre como encontrá-los para que eles não morram do dia para a noite”.

Em seu site oficial, o Collective Shout afirmou que pressionou provedores de pagamento organizando uma campanha que envolvia enviar vários e-mails para eles. Segundo o grupo, 1067 pessoas se juntaram à causa e registraram reclamações relacionadas à possibilidade de comprar jogos considerados “problemáticos” na loja da Valve.

A intenção do grupo é remover cerca de 500 jogos do Steam que mostrariam “estupro, incerto, tortura sexual e abuso infantil”, em suas palavras. Ele também afirmou que, “previsivelmente”, jogadores reagiram ameaçando seus membros e realizando ataques envolvendo montagens e o compartilhamento de pornografia infantil.

Waypoint removeu matéria sobre o assunto

Além disso, jogadores teriam encorajado os membros da Collective Shout a “se matarem” usando vários e-mails e ataques organizados contra contas individuais. “Essa é uma grande vitória para mulheres e para garotas. Fiquem ligados para mais atualizações”, afirmou a entidade.

Grupo australiano antipornografia assume créditos por censura do Steam
Foto: Divulgação/Valve

O envolvimento do grupo com a mudança promovida pelo Steam foi revelado por dois artigos da Waypoint, que foram removidos do ar pouco após serem publicados. Segundo a autora Ana Valens, isso aconteceu por “preocupações sobre o assunto controverso”, não por falta de precisão jornalística.

VICE’s owner Savage Ventures has requested the removal of my Collective Shout articles. This is due to concerns about the controversial subject matter—not journalistic complaintsEffective immediately, I will no longer contribute to Waypoint. I suggest letting VICE’s owner know if this upsets you

Ana Valens | 🔞 (@acvalens.net) 2025-07-20T12:52:03.587Z

Desenvolvedores acreditam que a decisão da Valve de ceder aos desejos de provedores de pagamentos abre precedentes perigosos. Ao deixar na mão deles a decisão do que seria ou não “pornografia”, a empresa corre o risco de eliminar experiências LGBTQ+ sem conteúdos sexuais, mas que sejam consideradas “controversas” somente pelos temas que apresentam.

Fonte: PC Gamer, Collective Shout

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