China desafia sanções e mira 100 mil chips NVIDIA para IA

A China está investindo pesado em inteligência artificial e planeja usar mais de 100 mil chips da NVIDIA para construir 36 centros de dados no meio do deserto de Gobi. A iniciativa desafia as sanções impostas pelos Estados Unidos e reforça a ambição chinesa de liderar a corrida global por poder computacional.

Mesmo sob restrições dos EUA, China planeja instalar milhares de chips NVIDIA em data centers no deserto para acelerar o avanço da inteligência artificial.

A movimentação faz parte de um esforço coordenado por governos locais e empresas estatais, como a China Telecom, para criar uma “superestrutura digital” voltada à computação de alto desempenho. O objetivo é consolidar a liderança da China em inteligência artificial, mesmo sob o cerco tecnológico imposto por Washington.

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Superpotência digital no Gobi

O projeto prevê a instalação dos servidores em áreas remotas do deserto de Gobi, no noroeste da China. A escolha do local não é por acaso: além do espaço disponível, as regiões oferecem energia renovável em abundância, como solar e eólica — fatores críticos para alimentar a demanda energética massiva dos sistemas de IA.

Reprodução/China Daily

A iniciativa recebeu o nome de “Gobi AI Hub” e será impulsionada por GPUs de última geração da NVIDIA, como os modelos A100 e H100, especialmente desenvolvidos para treinar modelos de linguagem e realizar inferências em larga escala.

Desafio às sanções dos EUA

Desde 2022, os Estados Unidos impuseram sanções rigorosas à exportação de chips avançados para a China, alegando preocupações com segurança nacional e uso militar da tecnologia. Mesmo assim, os relatórios apontam que a China conseguiu contornar as proibições por meio de estoques anteriores, revendedores terceiros e pedidos feitos antes da imposição total das restrições.

Apesar da rigidez nas restrições, os EUA recentemente suspenderam o bloqueio ao uso de softwares EDA (ferramentas de automação de design eletrônico), o que dá algum fôlego para o avanço da produção chinesa de chips.

Segundo fontes da indústria, aproximadamente 115 mil GPUs da NVIDIA devem ser alocadas nos centros de dados, com um investimento estimado de US$ 25 bilhões. Os chips serão distribuídos entre 36 instalações espalhadas por regiões como Xinjiang, Qinghai e Ningxia, com previsão de operação já nos próximos anos.

Infraestrutura para IA generativa

Os data centers no deserto servirão como base para sistemas de IA generativa similares ao ChatGPT, mas focados em soluções locais e aplicações corporativas. Além disso, a infraestrutura deverá atender à crescente demanda por modelos de linguagem de larga escala, reconhecimento de voz, análise de vídeo em tempo real e até sistemas autônomos industriais.

Especialistas apontam que a estratégia da China é centralizar o poder computacional em locais estratégicos, capazes de operar de forma estável, segura e, sobretudo, longe de áreas densamente povoadas.

Competição com os EUA e autossuficiência

Mesmo com as restrições comerciais, a China segue determinada a atingir autossuficiência tecnológica. O uso dos chips da NVIDIA demonstra que, embora ainda dependa de empresas estrangeiras em partes críticas da cadeia, o país continua investindo pesadamente em pesquisa e produção local de semicondutores.

Para isso, o país reajustou recentemente seu fundo industrial de US$ 47 bilhões, com foco em litografia e ferramentas EDA, duas áreas vitais para a fabricação de chips de última geração.

Além disso, há projeções de que a China possa se tornar a maior fabricante de chips do mundo até 2030, assumindo 30% da produção global. Esse avanço exigirá não apenas centros de dados robustos, mas também o domínio completo de tecnologias que hoje estão concentradas em países como EUA, Coreia do Sul e Taiwan.

Um novo capítulo na guerra tecnológica

A corrida por supremacia em IA está cada vez mais marcada por disputas geopolíticas. A decisão da China de construir um centro massivo de IA no meio do deserto, utilizando tecnologia da NVIDIA mesmo sob embargo, representa mais do que um feito de engenharia: é uma mensagem estratégica.

O projeto, quando concluído, pode não apenas alavancar a posição chinesa no setor de inteligência artificial, como também acirrar ainda mais a tensão entre Pequim e Washington em relação ao controle e acesso às tecnologias emergentes do século XXI.

Fonte: techpowerup

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