CrystalDiskInfo 9.9.0 informa se SSD Samsung 990 é fake

O CrystalDiskInfo 9.9.0 chegou com um recurso voltado para quem comprou ou pretende comprar SSDs Samsung em marketplaces e canais alternativos.

A nova versão do utilitário japonês identifica unidades Samsung 990 PRO falsificadas e exibe o rótulo “[FAKE]” diretamente antes do nome do modelo no painel principal, facilitando a vida de quem suspeita ter levado um clone.

A atualização foi anunciada nesta segunda-feira (18) pelo desenvolvedor hiyohiyo, criador também do CrystalDiskMark, em postagem oficial no X pela conta @openlibsys.

Além da nova detecção, o pacote traz suporte aos controladores JMicron JMS59x, corrige um bug do JMS586 New e reforça a segurança do processo de carregamento de DLLs.

Como o utilitário identifica o falsificado

A maioria dos clones do Samsung 990 PRO em circulação usa um controlador Maxio MAP1602, sem cache DRAM dedicado, programado com a string de firmware “8888888”.

O CrystalDiskInfo agora cruza o firmware reportado com o nome do modelo declarado. Quando há divergência entre os dois, o software adiciona automaticamente o prefixo “[FAKE]” ao nome do drive na interface principal.

No exemplo divulgado pelo próprio desenvolvedor, um falsificado de 2TB aparece na tela como [FAKE] Samsung SSD 990 PRO 2TB, com firmware 8888888 e taxa de rotação reportada como SSD.

Os demais campos exibem dados aparentemente válidos, como temperatura, transferência em PCIe 4.0 x4 e horas de uso, comportamento típico de clones que tentam burlar verificações automatizadas.

“Adicionado: suporte ao rótulo [FAKE] para SSDs Samsung falsificados. Adicionado: suporte para JMicron JMS59x. Corrigido: JMS586 New não estava funcionando corretamente. Melhorado: segurança do processo de carregamento de DLLs”, informou o desenvolvedor nas notas de lançamento da versão 9.9.0.

Por que falsificações de SSD estão em alta

O lançamento responde a um problema que vem se agravando desde o fim de 2025. A escassez global de memória NAND, combinada com a alta sustentada nos preços de armazenamento, criou condições ideais para a proliferação de SSDs falsificados em marketplaces e até em distribuidores locais.

Casos relatados em vários países mostram que os clones evoluíram: o Samsung 990 PRO de 1TB caiu para menos de US$ 200 (cerca de R$ 990, sem impostos e taxas de importação) na Amazon, mas a versão falsificada custa metade disso.

No segmento de 2TB, unidades fake já apareceram por aproximadamente US$ 205 (cerca de R$ 1.015), enquanto o produto legítimo é vendido por US$ 263 ou mais.

Reprodução/Akiba PC Hotline

Os falsificados ficaram convincentes

Casos documentados pela imprensa especializada e por usuários no Reddit mostram quão sofisticada está a operação.

Em um incidente registrado na Índia, o comprador recebeu um drive com embalagem quase idêntica, rótulo bem impresso, número de série plausível e até firmware reportado como 0B2QJXD7, versão original que vinha em lotes antigos do 990 PRO.

A unidade foi corretamente identificada pelo Windows 11, passou pelo CrystalDiskInfo sem alarmes e chegou a registrar leituras sequenciais de 7.255 MB/s e gravação de 6.090 MB/s no CrystalDiskMark, valores próximos dos 7.450 MB/s e 6.900 MB/s do SSD legítimo de 1TB da Samsung.

A pista decisiva apareceu apenas no Samsung Magician, software oficial da fabricante, que sinalizou o drive como não-Samsung.

Outros sinais surgiram em testes de escrita sustentada, quando a velocidade despencou para menos de 100 MB/s após cerca de 20 GB transferidos, comportamento que entrega o uso de cache SLC agressivo combinado com NAND de baixa qualidade.

Sinais visíveis e sinais invisíveis

Característica Samsung 990 PRO legítimo Falsificado típico
Controlador Samsung Pascal Maxio MAP1602
Memória NAND V-NAND 3-bit TLC da Samsung NAND genérica de origem desconhecida
Cache DRAM LPDDR4 dedicada Inexistente
Firmware reportado 0B2QJXD7 ou posterior 8888888 (mais comum)
Velocidade em burst curto 7.450 MB/s leitura, 6.900 MB/s escrita Até 7.255 MB/s leitura, 6.090 MB/s escrita
Velocidade em escrita sustentada (100 GB) Estável Cai para 20–100 MB/s após 20 GB
Reconhecimento no Samsung Magician Genuíno Marcado como “Non-Samsung”
Capacidade real Igual à declarada Frequentemente menor que o rotulado

Detecção é jogo de gato e rato

O criador do CrystalDiskInfo reconhece que o sistema é uma corrida contínua. Os falsificadores adaptam rapidamente as strings de firmware quando percebem que estão sendo rastreados. Para manter a base de assinaturas atualizada, hiyohiyo pediu colaboração da comunidade.

Quem identificar um clone deve salvar o log de texto do drive no próprio CrystalDiskInfo, em File > Save (Text), e enviar o arquivo para o desenvolvedor por e-mail ou pelo bulletin board oficial em crystalmark.info. A coleta colaborativa permite ampliar a blocklist de firmwares e modelos suspeitos.

A estratégia segue lógica parecida com a de softwares antivírus que dependem de amostras enviadas pela comunidade para alimentar suas bases de definições. No caso dos SSDs falsificados, o desafio é ainda maior porque cada lote pode trazer combinações ligeiramente diferentes de controlador e firmware.

Mais melhorias do CrystalDiskInfo 9.9.0

O suporte adicionado aos controladores JMicron JMS59x amplia a compatibilidade com pontes USB-SATA, comuns em adaptadores e gabinetes externos.

A correção do JMS586 New restaura a leitura SMART em uma classe de dispositivos que vinha apresentando falhas desde versões anteriores.

A melhoria no carregamento de DLLs é uma mudança de manutenção, não voltada ao usuário final, mas relevante para a postura de segurança de um aplicativo amplamente usado em verificações de hardware.

Diversos analistas baixam o utilitário logo após adquirir uma nova unidade de armazenamento, comportamento que torna falhas no carregamento de bibliotecas dinâmicas vetor potencial de ataque.

Reprodução/Akiba PC Hotline

Como verificar um SSD Samsung em casa

A Samsung sempre recomendou que compradores executem o Samsung Magician logo após instalar o drive.

O software oficial cruza serial number, capacidade declarada e capacidade reportada com a base da fabricante. Se aparecer o rótulo “Non-Samsung” ou a versão de firmware vier como 8888888, a unidade quase certamente é falsificada.

O novo CrystalDiskInfo não substitui esse processo, mas adiciona uma camada extra de verificação visual em ferramenta de terceiros.

Para quem já tem o aplicativo instalado e quer testar a autenticidade rapidamente, a presença ou ausência do rótulo “[FAKE]” oferece um primeiro indicador antes mesmo de abrir o software oficial da Samsung.

Recomenda-se ainda fazer testes de escrita sustentada com ferramentas como FastCopy ou H2testw, transferindo arquivos não comprimidos com mais de 100 GB. Falsificações baseadas em Maxio costumam revelar quedas dramáticas de velocidade depois de saturar o cache SLC.

Cuidados ao comprar SSD em 2026

Em meio à atual crise de preços de NAND, o conselho dos especialistas é direto: desconfiar de qualquer oferta significativamente abaixo do valor de mercado, especialmente em marketplaces que permitem vendedores terceirizados.

Listings com nomes como “Samsung Store Official” sem verificação real e ofertas em sites como eBay e Mercari classificadas como “presente lacrado” são vetores comuns de fraudes.

A recomendação prática mais simples é gravar o unboxing em vídeo. Em caso de problema, o registro serve como prova em disputas com a plataforma ou na operadora do cartão. Outra estratégia é registrar o número de série no site oficial da Samsung imediatamente após receber o produto, já que clones costumam ter números inválidos.

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Sinal claro do estado do mercado de armazenamento

O lançamento do CrystalDiskInfo 9.9.0 funciona como termômetro do momento. Quando um utilitário de SMART monitoring precisa adicionar detecção dedicada de falsificações para uma família específica de SSDs, a evidência é clara de que o problema deixou de ser ocasional.

O modelo colaborativo de detecção também sinaliza que nenhuma solução isolada resolve o problema sozinha. A combinação de Samsung Magician, CrystalDiskInfo atualizado, testes de escrita sustentada e atenção redobrada ao canal de compra forma a melhor defesa disponível hoje contra drives clonados.

Para o consumidor brasileiro, a lição vai além do recurso técnico. Marketplaces internacionais cobertos por importação direta e revendedores de procedência duvidosa no mercado nacional aumentam o risco.

O preço atrativo de um 990 PRO 2TB anunciado por menos de R$ 700 ou R$ 800 raramente representa o produto que a Samsung fabrica em Hwaseong.

Fonte(s): hiyohiyo no X (@openlibsys)

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