A Intel oficializou nesta semana, durante o Mobile World Congress 2026, a sua nova geração de processadores voltados para infraestrutura de redes. Batizada de Clearwater Forest, a linha Xeon 6+ estreia a aguardada litografia 18A e coloca o foco diretamente em cargas de trabalho para Intel Xeon Clearwater Forest 6G e Edge AI.
A estratégia da gigante dos semicondutores passa viabilizar a inferência de inteligência artificial nativa nas redes, sem a obrigatoriedade de aceleradores dedicados em todos os cenários.
Segundo a companhia, o desenvolvimento do 6G não exige uma reinicialização completa da arquitetura atual, mas sim uma evolução das bases de computação estabelecidas no 5G.
A proposta então é integrar a IA diretamente na infraestrutura existente, permitindo que operadoras modernizem suas redes sem a necessidade de substituir todo o equipamento (o chamado “rip-and-replace”).
Salto de eficiência com litografia 18A
O grande diferencial técnico dos novos processadores reside na eficiência energética proporcionada pelo processo de fabricação Intel com 1,8 nanômetros.
Dados apresentados em parceria com a Ericsson demonstram o impacto dessa mudança na densidade e consumo de energia em Data Centers e torres de telecomunicação.
Em testes comparativos realizados pela Ericsson em fevereiro de 2026, um único chip Xeon 6990E+ (Clearwater Forest) com 288 núcleos foi colocado à prova contra uma plataforma de soquete duplo equipada com o antecessor Xeon 6780E (Sierra Forest), também totalizando 288 núcleos.

Os resultados indicaram ganhos expressivos para a nova geração:
- Redução de 38% no consumo de energia do rack em operação;
- Aumento superior a 60% na relação performance por Watt;
- Ganho de 30% em desempenho geral
A previsão é que a família Clearwater Forest chegue ao mercado de forma ampla a partir de 2027, concluindo a transição da Intel para nós de processo mais avançados.
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O debate CPU versus GPU nas redes
Durante o anúncio, a Intel abordou a discussão sobre o uso de CPUs contra GPUs em infraestruturas de rede.
A empresa defende que aplicar uma visão centrada exclusivamente em GPUs para cargas de trabalho de rede pesadas em inferência não escala bem, podendo elevar custos e complexidade operacional. É uma forma de cutucar a NVIDIA.

Para a fabricante, a resposta está na utilização do “cálculo certo para a carga de trabalho”. O Xeon 6 SoC integra aceleração de IA diretamente na pilha vRAN (Virtual Radio Access Network) usando tecnologias como Intel Advanced Matrix Extensions (AMX).
Isso permite executar a maioria das inferências no próprio servidor, economizando espaço e energia que seriam gastos com hardware separado.
Empresas como Rakuten Mobile, Vodafone e SK Telecom já utilizam a arquitetura atual para modernizar suas operações, buscando latência ultra-baixa e consolidação de infraestrutura.
Com a chegada do Clearwater Forest, a expectativa é que essa densidade aumente, permitindo serviços de rede mais inteligentes e uma redução direta no Custo Total de Propriedade (TCO) para as operadoras que preparam o terreno para o 6G.
Fonte(s): Intel